Variedades Femininas

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Marília Vargas: A voz brasileira que emociona a Europa

em 27 de março de 2010

A nossa última homenageada do mês é a cantora lírica brasileira Marília Vargas, nascida em Ponta Grossa-PR, iniciou seus estudos aos 12 anos com a cantora Neyde Thomas e nessa mesma época debutou no Teatro Guaíra como o pastorzinho da ópera Tosca de Giacomo Puccini. Aos 19 anos, mudou-se para a Suíça, onde, posteriormente, se formou em canto barroco pela Schola Cantorum Basiliensis. Em 2005, Marília se especializou em Lied (canção romântica de origem alemã), na classe de Christoph Prègardien, no Conservatório de Zurique, na Suíça.

A cantora já foi premiada nos dois maiores festivais de canto lírico do país (Maria Callas e Bidu Sayão), além de ter representado o nosso país em inúmeros eventos no exterior, tais como: Eventos na Embaixada do Brasil em Roma e o concerto de abertura do Ano Brasil-França, ao lado do renomado violoncelista brasileiro Antônio Meneses e em teatros como o Theater Basel, Stadt Casino Bern, Tonhalle Zürich, Wiener Konzerthaus, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sala São Paulo, Palácio das Artes (MG), Auditorium de Dijon, Arsenal Metz, Theatre Royal du Palais de Versailles, Berliner Konzerthaus, Auditorium e Gran Teatro del Liceo (Barcelona).

A cantora tem participado cada vez mais de eventos no Brasil: em 2009 gravou o CD “Todo amor desta terra”, com canções paranaenses e, juntamente com o grupo ANIMA, acabou de lançar pelo selo SESC-SP o CD “Donzela Guerreira”.

Conversamos com Marília Vargas, que nos concedeu uma entrevista exclusiva:

Foto: Andrea Paccini

OC – Gostaria de te agradecer por disponibilizar um pouco do seu tempo para responder essa entrevista. Como foi o seu início com o canto e quando você se descobriu enquanto cantora?

MV –  Eu não consigo me lembrar de uma ocasião que tenha sido um “inicio” para mim no canto. Sempre cantei, desde muito pequena! Sempre fui muito estimulada pela minha família e respondi bem. Aos 5 anos comecei a estudar violino, e aos 9 a ter aulas de técnica vocal. Nesta época já estudava árias de Schubert e Haendel.

Aos 12 anos, fiz uma audição para a professora Neyde Thomas. Ela me aceitou como aluna. Na mesma época, tive a grande oportunidade de cantar o papel de Pastorzinho na opera Tosca de Puccini, que estava sendo encenada no Teatro Guaira, em Curitiba, sob a regência de Alceo Bochino. Depois disso, tudo foi muito natural. Nunca imaginei ser outra coisa, além de cantora!

OC – O que você poderia nos dizer sobre o trajeto que percorreu até chegar ao reconhecimento que tem hoje?

MV – Para quem escolhe a arte, o caminho é sempre muito longo. Desde pequena fui muito estimulada para o caminho das artes. Meu pai escreveu no meu “Livro do bebê”: Desejo que minha filha se dedique às artes, especialmente à pintura ou à música.
Acredito que ele seja um pai muito afortunado! O destino quis que o bebê em questão gostasse de música, e fizesse dela sua vida. Muitos pais desejam uma carreira aos filhos, mas nem sempre os filhos desejam esta mesma carreira. Eu jamais poderia dizer que faço música por desejo de meus pais. Faço música porque este é e sempre foi o meu desejo. O universo deve ter conspirado em nosso favor!!

OC – Em relação à música erudita no Brasil, O que você teria a dizer sobre assunto?

MV – Temos cada vez mais campo e mais público interessado. O Brasil tem muito campo para artistas empreendedores e com boas ideias. A música erudita esta ganhando espaço aqui.

OC – Como é a sua vida na Europa e como se sente sendo uma das principais cantoras eruditas brasileiras da atualidade?

MV – Minha vida é de muitas viagens e contatos com pessoas diferentes. Tenho que me adaptar facilmente a diferentes climas e fuso horário. Tenho que me sentir bem
em camas de hotel e em aviões. Por sorte, adoro viajar!!

OC – Você recentemente gravou um CD com compositores paranaenses, como foi esse projeto?

MV – Foi um projeto muito legal, pois fiz em conjunto com meu pai, que pesquisou as peças. Muito gratificante colocar peças adormecidas de novo no circuito, sobretudo ao pensar que elas vêm da minha terra. Este é o projeto do meu coração. Em 1 ano devemos começar o volume 2!

 

OC – E os seus novos projetos, quais são?

 

MV – Muitos!! Entre eles, este ano ainda,  lanço um CD que já foi gravado, de modinhas brasileiras, junto dos músicos Ricardo Kanji e Rosana Lanzelotte.

Estarei viajando pela Europa e Brasil com o Grupo Anima, com o qual acabo de lançar o CD Donzela Guerreira. Também estarei viajando com o grupo italiano

La Selva. Em 2009, lançamos o CD Alla Luna.

OC – Em sua opinião, quais os atributos necessários para um cantor erudito e  qual mensagem você mandaria para os aspirantes a cantores de nossa cidade?

MV – Estude muito e seja humilde ao aprender. Busque parâmetros altos, olhe o mundo, não fique no conforto do seu mundinho! O mundo é grande!!!!

GRUPO ANIMA

Publicada originalmente dia 27 de março de 2010, no jornal “O Contemporâneo”.

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Uma resposta para “Marília Vargas: A voz brasileira que emociona a Europa

  1. Gilberto Klein disse:

    Muito boa a entrevista. Mas faço uma pequena observação: o local de nascimento de Marília Vargas não é Curitiba, e sim Ponta Grossa.

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