Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Religiões unidas pela exposição “Relíquias do Buda”

em 5 de abril de 2010

São Paulo, capital, será  palco de um grande evento ecumênico. A cidade receberá entre os dias 08 a 11 de abril de 2010 a Exposição Internacional Relíquias  do Buda. A Exposição é uma das iniciativas do Projeto Maitréia, sediado na Índia (www.maitreyaproject.org), sob a coordenação do Lama Zopa Rinpoche. Trata-se de grande projeto de promoção da cultura de paz, em abordagem de caráter universal, sem distinção de credo, etnia ou orientação política. A exposição já percorreu mais de duzentas cidades na Ásia, Europa, Estados Unidos e Canadá, e tem recebido milhares de visitantes, incluindo autoridades políticas e religiosas diversas.

A Turnê Brasileira  2010 das Relíquias do Buda percorrerá, ao longo de dois meses, as mais importantes capitais do país. A exposição apresenta a oportunidade  de  contemplarmos os maiores tesouros da bondade universal, da compaixão e felicidade genuína. Essa crença é compartilhada por várias religiões, que trabalharam apoiando o projeto: centros espíritas, comunidades católicas, protestantes – todas unidas, pedindo pela paz.

As “Relíquias do Buda” são uma coleção com mais de mil relíquias sagradas do Buda Sakiamuni e de outros grandes mestres budistas. Este ano, elas serão guardadas em um relicário na estátua do Buda Maitréia. O diferencial dessa exposição está na beleza das relíquias, que não são restos mortais comuns, mas cristais que surgiram quando os corpos de mestres espirituais foram cremados, são parecidos com pérolas. Os tibetanos os denominam “Ringsel”. Esses “Ringsel” são especiais por nos lembrarem da importância de desenvolvermos qualidades como compaixão e sabedoria, pois a pureza interna aparece na forma das relíquias.

O responsável pela vinda da exposição ao Brasil foi o Lama Padma Samten, primeiro Lama ordenado no Brasil, escritor de vários livros, ex-professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestre em Física e palestrante muito requisitado no país.   Para quem nunca ouviu falar de um Lama, é só lembrar do Dalai Lama, que possui uma ordenação superior ao Lama Samten. A exposição nos possibilita conhecer mais da cultura oriental, além de pensarmos um pouco melhor nos conflitos ocorridos entre o Tibet e a China. Conversamos com o Lama Samten, que em forma de entrevista nos falou um pouco mais a respeito da exposição e da sua vida como Lama.

OC (O Contemporâneo) – Qual a importância da vinda das Relíquias do Buda para o Brasil?

Lama – Mesmo no Oriente é muito raro termos a oportunidade de estarmos diante das relíquias do Buda ou dos mestres que atingiram a realização espiritual. Eventualmente dentro de uma linhagem alguns dos principais praticantes têm acesso em momentos especiais as relíquias de seu mestre fundador ou de grandes praticantes da linhagem. Sua Eminência Lama Zopa Rinpoche, um grande mestre budista tibetano contemporâneo que vive no Nepal, por seus méritos, conseguiu reunir relíquias de 39 grandes mestres budistas incluindo o próprio Buda Sakiamuni. Esse conjunto de relíquias será colocado no centro do coração em uma grande estátua do Buda que será construída na Índia. Esse monumento está sendo criado como um farol sutil que irradiará compaixão e amor por todos os seres em todas as direções.

Temos agora a oportunidade muito rara de acessar essas relíquias e essa energia dos Budas.

OC – A exposição Relíquias do Buda tem um caráter ecumênico, pois trabalha em conjunto com outras religiões. Em sua opinião, o que pode resultar desse tipo de trabalho em conjunto?

Lama – As qualidades espirituais são universais e por isso naturalmente não são exclusivas do budismo. Esse reconhecimento nos traz a oportunidade de aproximar as diferentes tradições espirituais como caminhos convergentes de manifestação da sabedoria, do amor e da compaixão infinitas e ilimitadas originadas da verdade que transcende as aparências comuns do mundo.

OC- Quais os benefícios que obtemos entrando em contato com as Relíquias?

Lama – Observamos que há aspectos imponderáveis nesse contato que se manifestam em mudanças sutis da mente das pessoas em direção as qualidades espirituais elevadas apontadas em todas as tradições. Surge grande respeito e a sensação de benefício e felicidade comovida. Mesmo as crianças pequenas e os animais apresentam um inexplicável respeito e atenção quando são abençoadas pelas relíquias.

OC – O Sr. foi Professor Mestre na área de física quântica, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Como se deu sua passagem para a dedicação integral ao Budismo?

Lama – Entre os cientistas, os físicos são os que mais diretamente buscam compreender a natureza mais profunda da realidade material da qual fazemos parte. Buscam compreender a origem do universo, as leis que regem esse universo, e também como ele evolui no tempo e quais os condicionantes disso. A ciência tem avançado muito em sua compreensão e em certo momento os cientistas da física quântica especialmente, perceberam que a compreensão da realidade tinha por obstáculo as próprias idéias pré-concebidas às quais os cientistas se ligavam, e que quando novas idéias vinham, novas teorias surgiam e novos aspectos da realidade, ou mesmo realidades diferentes eram acessadas. Eles perceberam que suas mentes ficam presas e só a muito custo podiam ver adiante de suas visões presentes. Ainda assim, geração após geração o que não era visto antes passava a ser visto.

Os budistas sabiam disso desde o Buda e tinham encontrado métodos, ligados à meditação e à observação da operação da mente, para ampliar suas visões e ultrapassar essas dificuldades.

A compreensão da importância de contemplar a operação da mente e ampliar as visões foi o que me tocou e me levou a priorizar a prática e o estudo do Budismo como método de ir adiante das dificuldades pessoais, de grupo e da humanidade como um todo.

Minha dedicação integral surgiu quando encontrei meu mestre e ele passou a residir no Rio Grande do Sul, oferecendo-me a oportunidade de estar próximo a ele.

OC – O Sr. poderia nos explicar o que é ser um Lama? Como é a sua rotina?

Lama – Um lama é um sacerdote, uma pessoa que busca trazer benefícios a todos os seres. Minha rotina é cuidar das pessoas, manter as práticas e estudos, estimular e auxiliar os meus alunos em sua formação, na prática da meditação e em seus retiros, e especialmente em que vivam vidas mais felizes, lúcidas e integradas em seu mundo, família e trabalho.

OC – Como o Sr. sugere ao não iniciado no budismo fazer uso de seus preceitos no intuito de atingir a serenidade da mente?

Lama – Os ensinamentos do Buda a respeito são: Crie benefícios a todos os seres, não produza sofrimentos, dirija sua própria mente. Isso conduz a felicidade e serenidade. São palavras aparentemente simples, mas difíceis de cumprir. Os detalhes de como tornar isso uma realidade termina por originar os oitenta e quatro mil ensinamentos dados pelo Buda histórico.

OC – Qual mensagem o Sr. poderia deixar para os cidadãos de nossa cidade?

Lama – A felicidade verdadeira é possível, mas é fácil de nos enganarmos com respeito a isso. Busque estabelecer relações adequadas consigo mesmo, com os outros, com as autoridades e com a natureza. Ao aproximar-se disso, surgirá compaixão, amor e alegria em sua vida. Você verá as circunstâncias se tornando benignas e sentirá que a vida tem sentido e as dimensões de realidade espiritual são vivas, verdadeiras e concretas.

Estamos em um momento planetário que exige a construção de uma nova cultura, de uma cultura de paz, lucidez e felicidade. Isso está em curso, independentemente do local e da tradição espiritual. Observe isso e aproxime-se dessa direção, faça sua parte e veja como a vida é uma experiência luminosa, profunda e a felicidade é possível.

Serviço:

Exposição Relíquias do Buda

Data: 08 a 11 de abril de 2010.

Horário: 10h00 às 19h00

Local: Associação Cultura Hiroshima

Rua Tamandaré, 800, Liberdade, São Paulo -SP

Tel.: (11) 9904 7191

Mais informações:

http://www.cebb.org.br/noticias/344-exposicao-reliquias-do-buda-brasil-2010

http://www.maitreyaproject.org/

*Bernadete Guimarães atuou como co-autora desse artigo, ela é coordenadora de comunicação da exposição “Relíquias do Buda”, em Recife-PE, socióloga e especialista em História das Religiões

** Publicado originalmente na Coluna Cultura do Jornal O Contemporâneo em 03/04/2010.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: