Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Sobre herois, resignação e liberdade

em 11 de setembro de 2012

Quando assisti o último filme do Batman quase tive um chilique, foi um dos piores que já vi na vida, um engodo! Passou quase todos os limites possíveis, quase, porque nada é pior que “guerra dos mundos” com Tom Cruise; o Batman é o grande heroi resiliente, ele sofre muito, perde a sua amada que não o ama, que escolhe ficar com o outro, mas ele não sabe, coitado… Luta com um vilão bombado, vai parar num buraco e com muitaaaa resiliência sai, no mesmo dia chega no EUA para salvar o mundo dos bandidos metidos a anarquistas, mas que no fundo desejam destruir a cidade de Gotham por motivos, totalmente, emocionais e sem sentido.  Aí temos a grande surpresa, a mocinha na verdade é a grande vilã, mas Batman se resigna e mata todo mundo, assim o grande capital será salvo, porque o povo deseja ser governada por um governo, deseja ter ricos cada vez mais ricos e deseja ser oprimidos, porque se não tiver alguém para oprimir vira esbornia,  é isso que ocorre em governos socialistas, comunistas (nunca nem existiu comunismo no mundo)… então imaginem num anarquismo? Esbornia, esbornia…

Pois é, vivemos uma ditadura do heroismo, mas é esse heroi resiliente, que se adequa a sociedade e reverencia a família. E esse tipo de heroi não respeito nem um pouco, se pensarmos em música, o mito do herói pode ser relacionado com a forma-sonata, por exemplo, e o auge desso controle da forma ocorreu no classicismo, claro que ainda podemos encontrar esse forma do heroi que vai, mas volta transformado, no romantismo, mas é no final desse romantismo que se inicia a expansão da tonalidade, e assim, o rigor com a forma já era, as relações agora são outras e isso não é lindo?

Para mim, meus herois pessoais nunca foram resilientes, é lógico que tive a sorte de ter pessoas diferentes para ter como exemplo, assim pude crescer admirando, por exemplo, a pintura do Pollock ou me apaixonando loucamente por Stravinsky, e claro que a minha personagem de ópera preferida é a Lucia do Donizetti, porque ela é dramática e louca, assim me lembro de passar parte da infância tentando cantar a cena da loucura rodopiando na sala.

Meus herois familiares são pessoas que entendem que vencer, não é servir ao capital e ser “feliz”.  Claro que não acredito em família na estrutura criada a partir do final do século 17, aquela que deve ser mantida a todo custa, nos padrões cristãos, aquela família que aceita qualquer coisa em nome da manutenção, aquela que aceita que seus filhxs, primxs, tixs… sejam violentados em todos os aspectos, que sejam agredidos físico e mentalmente de todas as formas possíveis em nome na manutenção da decadência. Qual o problema se seus membros sejam violentados, estuprados, mortos por um membro da família? Nenhum, desde que todos fiquem juntos e felizes! Não é assim que funciona?

Imagem tirada daqui: http://aliengirrl.flogbrasil.terra.com.br/

Esse tipo de família? Eu tenho nojo! Isso não faz parte de mim, pois luto, diariamente, pela liberdade e é por isso que sou feminista, mas isso é outra história… Voltando ao heroismo, minha mãe é uma heroina pra mim, não porque ela é minha mãe, mas porque  ela é bocuda, isso não é lindo? Minha mãe não escuta em silêncio as agressões, pelo contrário, ela sempre tem uma resposta pra tudo, briga pelas coisas que acredita e, principalmente, respeita as diferenças. Minha mãe não é nada convencional e é por isso que a admiro, não é só porque é minha mãe, não acredito nessas fórmulas de mãe é santa, mãe é perfeita… Mãe é gente! Não sabia disso? Mãe é gente! Assim, com a minha mãe aprendi a não ficar calada diante das adversidades, não me calo diante das agressões da vida. Aprendi com minha mãe que todos somos gente, ela já fez de tudo, é socióloga, mapeou favela e já teve loja de roupa rss Aprendi com ela que não preciso ser uma coisa só, uma pessoa só, ser multi é bom! Com minha mãe comecei a pensar sobre feminismo.

Minha sogra é uma das minhas referências de vida, foi uma feminista forte e lutadora, Cidinha Kopcak lutou até que suas forças se esgotassem por um mundo em que mulheres não sofressem mais nenhum tipo de violência por serem mulheres, lutou pela igualdade entre os seres e ao mesmo tempo, para que suas diferenças fossem respeitadas, mas na quinta (13-09) falarei mais sobre ela, pois será o aniversário da casa Cidinha Kopcak.

Agora, além das referências óbvias de admiração, mãe e sogra, gostaria de falar sobre duas pessoas que admiro demais e sou grata por ter aprendido com elas a ser mais livre, lutar por aquilo que acredito, eles são meu tio Fernando Guimarães e minha tia Celina.

Meu tio Fernando Guimarães é um grande publicitário, muito respeitado e conhecido em São Paulo, saiu jovem do Recife, fez jornalismo na Cásper Líbero,é um grande executivo e trabalhou em grandes empresas como diretor de criação e afins, é conselheiro da ABEMD e além de tudo criou o Smiles da Varig – aquele programa de milhas que hoje é da Gol. Meu tio é mara, não é? “Venceu na vida!!!” Apesar de um currículo mara, não é por isso que destaco ele como um heroi, mas porque ele é já leu um bilhão de coisas, ama coisas simples – minha maior diversão com ele é passear os cachorros na rua -, medita – ohhhh – e, principalmente, porque meu tio não é nada resiliente rss ele não se acomoda com as coisas, não se acomodou com cargos de executivo em grandes empresas, ele transcende, gosta de se jogar na vida, e assim, montou a sua empresa e hoje trabalha com consultoria, mas não faz esse tipo de coisa porque está pensando só na grana – e se tivesse qual o problema? -, meu tio transcende, ele precisa criar, ser livre, assim aprendi com ele a ser flexível, aprendi que posso mudar em todos os aspectos da minha vida, porque foi isso que ele fez com a sua vida, está aberto para mudanças, assim, além de estar cada dia mais inteligente, está cada dia mais gentil e doce!

Finalmente, minha tia Celina, ela é astróloga e pintora, tem uma sensibilidade imensa, enxerga as pessoas com muita profundidade, é generosa, doce e inteligente, perspicaz , cozinha de forma criativa e é criativa em tudo. Adoro a forma como ela observa o mundo, como me ensinou que o mundo capitalista pede que a gente produza loucamente e pense cada vez menos, mas que podemos resistir a isso, que posso pensar e sentir, até porque corpo e mente é a mesma coisa certo? Ou somos platônicos e entendemos que existe essa separação? Se um dia eu conseguir ter um pouco da generosidade da minha tia ou a delicadeza que ela tem com a vida, acho que serei um pouco mais tranquila comigo mesma. Sou muito grata a sei lá o que por ter colocado ela na minha vida, tia Celina sempre foi pra mim um momento de respiração no meio dessa loucura toda.

Ok, parece terapia familiar, mas não é, estou dizendo com tudo isso que não preciso ter como referências pessoas resignadas, que aceitam as adversidades da vida baixando a cabeça, aceitando e “vencendo”. Vencer pra mim é se permitir viver, é viver das formas mais diferentes possíveis, e acho que uma forma de praticar isso é perceber as pessoas a sua volta, mas olhar como pessoas, que tem defeitos e qualidades, pessoas que te magoam e te trazem momentos de felicidade. Viver pode ser isso, enfrentar e não achar que enfrentar é se resignar, aceitar a violência imposta pela família, governo, instituições, viver não é ser um sujeito dócil, como diz Foucault.

Viver pode ser vivenciar as suas potencialidades, mas não a serviço do capital, das instituições, mas a serviço de você mesmo, viver também é viver pelo coletivo, viver é também a coisa em si, trabalho de si… Por isso, apesar de ter uma bosta de “família”, tenho a felicidade de ter pessoas que me ensinaram que eu posso buscar a coisa em si, o trabalho de si… aprendi que família não é isso, essa família que mata, que oprime? Estou fora!!!  Família pode ser viver e transcender, olhe em volta!

 

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