Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

História do feminismo

em 5 de janeiro de 2013

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Todos sabem que falo muito sobre feminismo aqui, mas gostaria de dividir com vocês um pouco das pesquisas que faço no mestrado, então, que tal iniciar por uma breve história do feminismo?

A primeira fase do feminismo é conhecida como feminismo da igualdade e se dá pela luta das mulheres em fazer valer os seus direitos. Desde o final do século XIX, quando médicos fizeram estudos no qual apontavam que as mulheres eram biologicamente inferiores aos homens e com isso, não possuíam uma capacidade de raciocínio tão rápido quanto os homens, eram mais fracas fisicamente e cognitivamente inferiores. Assim, apontavam por meio dessa “comprovação científica” que as mulheres eram inferiores, e esse discurso de desigualdade destoava do contexto de discursos democráticos na época, sendo assim, era uma democracia com desigualdades e esses estudos motivaram as mulheres a buscar provar que eram iguais aos homens e não inferiores. (BRAUN, 2006)

Sobre essa questão de inferioridade feminina, Winnicott diz:

Talvez a pior parte, do ponto de vista sociológico, seja o lado masculino desse delírio em massa que faz com que os homens enfatizam o aspecto “castrado” da personalidade feminina, o qual, por sua vez, ocasiona uma crença na inferioridade feminina. (WINNICOTT, 2005, p.187-188)

Para o psicanalista, apontar que as mulheres são inferiores é um problema, que gera conflitos entre os diferentes gêneros. Esse “delírio” foi amplificado para os papéis sociais e corroborado por meio de “teorias científicas”, que nesse contexto não se apresentam como neutras, como aponta Sandra Harding, sobre o uso da ciência para privilegiar determinados grupos.

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Nesse sentido, coube às mulheres encontrarem formas de demonstrar que eram iguais aos homens, e é nesse contexto, que nos anos de 1970 ocorre uma expansão do feminismo e o ano 1975 é decretado o ano internacional da mulher em muitos países ocidentais. Todavia na produção acadêmica nem sempre as mulheres eram reconhecidas como iguais aos homens. Só a partir de 1980, com o surgimento do feminismo da diferença que o enfoque epistemológico e político dessa contribuição voltou-se para a cultura das mulheres.

Esse feminismo dirá que as mulheres são subjetivas e que é importante que as mulheres sejam assim, pois elas humanizam a ciência e as relações sociais, o que não poderia ser aceito até então. Reconhecidas nas suas especificidades deitou-se por terra no meio acadêmico a sua inferioridade. Esse novo feminismo aceita que as mulheres são diferentes dos homens, mas questiona a dicotomia das relações de gênero. (Sandenberg e Costa, 2002, p. 33)

“Os estudos de gênero mostraram que tais ideias binárias, expressas em símbolos e normas sociais, estruturaram instituições, foram oficializadas em leis, e encarnaram em identidades pessoais, ou seja, participaram e participam da construção de uma realidade social, são aspectos da nossa ordem social. Quem começa a perceber sua onipresença poderia até desconfiar que são eternos.” (GIFFIN, 2005).

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Nesse sentido, a crítica feminista passou a enfrentar o neoliberalismo e as visões utilitárias das ciências e tecnologias, somando-se aos estudos sociais das Ciências e Tecnologias, nos quais se entrelaçam C&T às práticas culturais de uma comunidade local, seus valores e sua relação com o ambiente. Para aprofundar o entendimento dessa dicotomia presente nas relações de gênero, surge nos anos 90, o feminismo crítico, que vai discutir não só essa dicotomia, mas a dicotomia também da ciência e da sexualidade. Vai apontar que os sujeitos e a ciência são construções coletivas, sociais e relacionais. Por sua vez, o feminismo crítico também é conhecido como pós-feminismo, recebe críticas de muitas teóricas do feminismo e algumas outras não o reconhecem como um movimento, nesse sentido. Portanto, é válido ressaltar, que não existe um só feminismo, mas múltiplos feminismos. (Sandenberg e Costa, 2002, p. 35)

Referências bibliográficas

BRAUN, Ana Beatriz Matte. Mãe do menino, Daniela, Maria Camila, Helga e a mulher do moço do saxofone : a representação da mulher em cinco contos de Lygia Fagundes Telles. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduação em Letras. Curitiba, 2006

GIFFIN, Karen. A inserção dos homens nos estudos de gênero: contribuições de um sujeito histórico. Ciência e Saúde Coletiva,  v. 10, n. 1, p. 47-57, 2005.

HARDING, S. A instabilidade das categorias analíticas na teoria feminista. Estudos Feministas, v.1, n.1, p.7-31,1990.

SARDENBERG, C.M.B. e COSTA, A.A. (orgs.) Feminismo, Ciência e Tecnologia. Salvador: Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre Mulher e Relações de Gênero (REDOR), Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), Universidade Federal da Bahia, Coleção Bahianas, v.8, 2002

WINNICOTT, Donald W. Tudo Começa em Casa. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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