Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Meu ex-amigo gay e machista

em 16 de agosto de 2013

Ando meio fofoqueira esses dias, só pode, pois estou revisitando histórias pessoais antigas no blog. Lembrei desse ex-amigo quando uma amiga questionou: como uma pessoa pode ser gay e machista? Pois é, pode até parecer contraditório, mas não é. O machismo faz parte da organização do discurso de nossa sociedade, ele está em todos os locais, muitas vezes reproduzimos e nem nos damos conta disso, mas não perceber não significa que não somos machistas e nem que ele não existe. Vou dar um exemplo bem comum, quantas vezes não questionamos a androginia? Ao olhar para uma sapatão que tem um estereótipo “mais masculino” o que você pensa? Controlamos o corpo dos outros o tempo inteiro. E se a pessoa for trans, como você se sente em relação a ela? Pense nisso!

Esse meu ex-amigo que citei, eu achava que era um cara legal, pois não convivia tanto, mas era bem o esquema “#TamoJunto”, entretanto, sem convivência não fazia ideia de certos comportamentos dele. Teve todo um rebuliço na minha vida e passei a conviver mais com a criatura, e aí me deparei com uma situação que pra mim era muito bizarra. Ele sempre comentava que seu namorado era a mulherzinha da relação, tanto por questões íntimas que não citarei aqui, quanto por ser mais delicado e sensível. Opa, agora peraí, como assim? Mulherzinha? Tem a necessidade de uma pessoa que vive uma relação homossexual transplantar para si um modelo machista e hétero?  Na cabeça dele, mesmo entre pessoas do mesmo sexo estão estabelecidos um padrão binário de gênero. Bizarro!

E como esse namorado era a “mulher”, ele destratava muito, não tinha o menor respeito, e, principalmente, falava do menino com muita hostilidade, fora as questões extra-conjugais, mas aí não sei se posso classificar como machismo, pois nunca me envolvi com os detalhes e motivações. Outro detalhe na fala dessa criatura, era criticar lésbicas exaustivamente, sempre dizia que sapatões são loucas que só sabem casar, além de utilizar uma infinidade de termos pejorativos para designá-las.

Ok, tudo isso é uma barbaridade, mas quais os motivos que me levaram a trazer essa história? Vejo muita gente espantada questionando como podem existir gays ou mulheres machistas.  Gente, pessoas são machistas  e ponto. Pode parecer bizarro que uma pessoa que seja oprimida pelo machismo reproduza esses discursos, mas para pensar essas questões acho a leitura do Foucault é fundamental, pois ele diz que nós reproduzimos as técnicas do poder não só pela repressão, mas pelo prazer que sentimos na reprodução dos discursos.  Você pode encontrar esse trecho no livro “Vigiar e Punir”.

 

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