Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

SOBRE MACHISMO, HOMENS FEMINISTAS E TRANSCENDÊNCIA DE GÊNERO

em 31 de agosto de 2014

Acho que machismo é uma doença pior que ebola, essa porcaria gruda na gente e é muito difícil de sair. Vivemos em uma sociedade EXTREMAMENTE machista, é muito punk isso. Como feminista, luto, diariamente, contra o meu próprio machismo e o dos outros. E obviamente luto contra o machismo, também, das outras feministas, que falam merda, são transfóbicas. Ou seja, é uma luta diária, não dá pra relaxar nunca, porque sempre vem uma rajada machista, de qualquer lugar, até de nós mesmxs. Acho que o negócio é tentar ter a cabeça aberta e a percepção apurada para perceber quando o machismo bate dentro da gente.

Viver sem machismo é totalmente possível sim, mas que é difícil encontrar pessoas coerentes no mundo é.  Não estou falando mal de ninguém, só afirmando que ser feminista em uma sociedade opressora e extremamente machista é muito difícil, tanto que os caras “feministas” que namorei eram uns machistões. A questão não é xingar os caras de machistas de merda ou ficar aborrecendo com o papo de mulher ser machista. O buraco é bem mais embaixo, opressão de todos os lados, alienação, cegueira, burrice… mas, principalmente, dificuldade de lutar, de ser.

A dificuldade é transcender o discurso, então, quer ser um cara feminista? vamos ser feminista, mas sem tentar destruir sua companheira por ela ser mulher e ter se destacado mais do que você nas coisas. Vamos ser feministas? Mas sem agredir mulheres trans por dizerem que elas não são mulheres, pq tem pinto. E finalmente, vamos parar de ficar controlando a vida sexual feminina, as chamando de biscate, vadia e a murrinha seca toda. Apesar dessa fala toda, faz parte do meu ser acreditar no feminismo, principalmente no feminismo ciborgue, pq ficar com mimimi de marcas de gênero binário: fulano é homem, cicrana é mulher, beltrana não é mulher porque tem pinto… Zero paciência com isso, pq feminismo ciborgue é transcedência. Faz alguma diferença se eu pareço que nasci com vagina e beijo meninos com pinto? Mas se eu tivesse nascido um menino que no meio da minha infância me percebi uma menina que beija outras meninas. Faria alguma diferença? Isso me torna uma pessoa melhor ou pior? Catar coquinho na praia, não sou mulher, sou ciborgue.

Zero paciência com relações afetivas que envolvem pessoas machistas, principalmente, homens que acham bonito competir com mulheres e tentam diminui-las ao máximo “pela sua condição feminina”, machistas de merda não passarão! Ate porque eu nem mulher sou mais, sou ciborgue, pq prefiro fazer parte de um mito inônico apocaliptico, que é muito mais legal! ahhh o Manifesto Ciborgue da Haraway devia ser leitura obrigatória, pq tem gente por aí perdida falando em biologismo…. MELDELS! Eu cito Beauvoir e mando catar coquinho na praia. É brincadeira… já tive que ver homens que se dizem feminista ficar puxando papinho de diferenças biológicas entre homens e mulheres. Ok, nesse hora bate a budista, medito, penso na natureza vajra das coisas e bola pra frente com um argumento tranquilo… MACHISMO MATA, é uma grande merda, por isso temos que continuar na luta. Até que todos os seres estejam lúcidos e libertos. Um mundo ciborgue com transcendência total dos gêneros.

*Esse post é um desabafo que postei, inicialmente, no facebook.

PDF do livro: http://pt.scribd.com/doc/86532011/HARAWAY-Donna-KUNZRU-Hari-Antropologia-do-Ciborgue-As-vertigens-do-pos-humano-org-Tomaz-TadeU

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