Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Sobre hospital de rico: endometriose, favela e saúde pra todxs

em 7 de setembro de 2014

Essa semana refleti muito sobre o atendimento dos hospitais de rico aqui de São Paulo, conhecendo novos e analisando o tratamento. Esse post não tem como objetivo falar mal do PT e do SUS, acho bom avisar: doidos de plantão podem ir ler um outro texto.

Quando  falamos de hospital de rico automaticamente surgem as críticas ao SUS. Quero deixar meu posicionamento bem claro: Não sou contra o SUS,  percebo muitas qualidades em nosso sistema. A principal delas é a sua existência, a possibilidade de que qualquer pessoa seja atendida em hospitais brasileiros, que não precisem escolher entre seus dedos acidentados qual terá que implantar. – Escolher entre os dedos é uma realidade Norte-Americana, um país que vive sérios problemas em relação a saúde da população. – Fui atendida em um PS do SUS em julho em Santo André, pois estava ruim demais e não tive a menor coragem de enfrentar o atendimento ruim e demorado do “melhor hospital de Santo André”, foi  bom, fui bem atendida no SUS

Nas minhas muitas idas ao hospital acabava indo pro PS precário da Unimed, mas que atendia mais rápido. Como sempre preferi hospital perto de casa, quando morava na Vila Mariana ia no SEPACO e era ok. Esses que citei, são típicos hospitais de classe média, de uma classe que possui uma grande parte de ressentidos e metem o pau nas políticas sociais, mas são massacrados nos planos de saúde com laboratório super lotados e atendimento confuso. Uma parte desse grupo se sente muito feliz de não ter que se misturar no SUS.

Eu não tenho o menor problema de ir no SUS, não tenho medo de gente, pelo contrário, gosto de gente, mas apesar de reconhecer que temos hospitais de referências no SUS, incluindo para tratamento feminino, não são suficientes para minha pauta, que é da portadora de endometriose, entretanto, essa é uma luta de reconhecimento geral, tanto no SUS quanto nos planos de saúde. O governo tem feito projetos abrangentes e emergentes, a contratação dos “mais médicos” foi uma felicidade. Só acho que a necessidade básica não exclui a especializada em endometriose, mas acho que são caminhos, opções, sou otimista, espero que a endometriose entre em muitas futuras pautas do governo.

Voltando ao tema de hospital de rico, uma fatia da classe média insana repele e tem nojo dos pobres, como se pobre por merecimento devesse ficar doente e passar fome, um povo incoerentre que critica o bolsa família, mas vive de pensão vitalícia do pai e seus filhos se sustentam com bolsas de mestrado e doutorado e olhe-lá! Qualquer bolsa que promova o crescimento dxs cidadxs deveria ser é ampliada, mais prouni, bolsa família, bolsas de mestrado e doutorado… Essa é uma das formas do país crescer, estimular a população.

Enquanto a classe média se agarra as migalhas, a classe rica, realmente, recebe um tratamento diferente e nas pequenas coisas, você vai fazer um exame no Sírio Libanês e tem vaga para o dia seguinte, não precisar ficar meses pra arrumar uma vaguinha pelo plano de saúde. Se o exame tiver algum preparo, eles montam um kit de medicações e instruções pra você. Existe também a possibilidade de se internar no hospital e passar o preparo do exame com cuidados médicos – e a hospitalidade do Sírio é boa. Os profissionais são extremamente gentis, todos. Perguntei se a enfermeira gostava de trabalhar lá, e me disse que sim, então aproveitei para fazer o meu discurso sobre o uso de materiais no sus, que não é necessário ficar usando um acesso estragado só para economizar.

Ela me disse que é verdade isso, trabalhar no sus é legal, tem hospitais que tem tudo, as mesmas marcas do Sírio, mas tem outros locais que não tem nada. Comentou que a diferença era o público, percebi que ela gosta mais do público de classe média alta que frequenta aquele hospital, como se trabalhar perto de rico desse algum status – não preciso me alongar…  Achei atendimento lá e no nove de julho ótimos, não tem filas, parece ter muito funcionário pra pouca gente sendo atendida. As equipes médicas que tive contato foram ótimas, equipamento de exames novos e toda a parte de conveniência deliciosa, tive vontade de levar o roupão pra casa, não levei, mas me imaginei ahazando com ele aqui na minha casinha ultra fashion.

Escrevi, escrevi, escrevi… Para dizer que acredito no SUS, espero que os hospitais melhorem, que o mais médicos invadam a geral, pois não dá é pra deixar a população desamparada, Acho que as coisas ocorrem aos poucos, aos processos, mas no fim gostaria de hospitais com o nível do Sírio Libanês, do 9 de julho também. O Einstein ainda não testei.

Acho super válido hospitais como o Sírio, atendimento bom, mas achei as pessoas simpaticas demais e com grande necessidade de me chamar de senhora, mesmo depois que pedi para não chamar. A equipe de enfermagem achou que eu tinha 20 anos, então sou senhora porque? Se estou lá tenho grana e devo ser tratada como senhora e dona? Eu quero um atendimento top desse pra população toda e gostaria de modelos de hospitais mais humanizados, acho que isso falta no nosso país. Suprir as necessidades básicas, como médicos para os locais mais distante e montar um belo de um projeto político para o nosso país, é algo que acredito estarmos no caminho. Mas e a portadora de endometriose? Os planos de saúde cada vez têm menos especialistas, nem sempre cobrem a cirurgia. O SUS tem poucos hospitais de referência que atendam as portadoras e são muito localizados. Precisamos de um mais médicos da endometriose.

Algumas poucas pessoas já me acusaram de ser elitista, acho que não preciso participar de concurso de miss favela pra provar que eu me solidarizo a minha maneira -Olha a irônia e a crítica ao machismo-. Já ouvi críticas ao meu gosto estético, elitista demais, não me misturo. Não tenho a necessidade de responder nada, mas acho que é uma bela provocação pra refletir, pois cada um olha pro mundo de uma forma peculiar. Acho que o problema é o preconceito com a favela, achar que favela é sinônimo de definhamento cultural e intelectual, de povo coitadinho que precisa ser protegido. O povo da favela, da periferia é forte! E juntos temos que  tomar SP, circular nas ruas, invadir as atrações culturais e levar pessoas pra favela, pra periferia, porque acredito na mistura. Porque não deveria existir lugar de rico ou de pobre, deveria ter locais transcendidos. Acho que a favela deveria estar mais para um não lugar, um lugar livre.

Quando eu era mais nova montei uma associação musical em Paraguaçu Paulista_SP, ideia minha e trabalho meu, e que foi expandido pro coletivo. Dei aulas de canto e fiz preparação e produção musical para montagem dos nossos espetáculos, com pessoas cantando árias de ópera, a grande maioria nem sabia o que era ópera e foi umas das experiências mais profundas que vivi. As vagas eram abertas para pessoas de todas as idades e classes sociais, e essa foi a maior rykeza, uma cidade que alimenta tanta segregação social, se misturando, filho de pobre e de rico tomando o teatro municipal da cidade, sendo o que eles são, iguais.

Acho que saúde é tudo, sáude é cultura, escola e alimentação. Saúde é direitos. Por isso desejo para  esse país: hospitais humanitários e os pobres invadinho esses hospitais que todos sabem os nomes, os chamados hospitais de rico. Não quero mais lugar de pobre ou de rico, quero lugar para todxs! Acho que seria lindo todo mundo tomando seus espaços no Sírio Libanês, saúde deve ser do povo, todo mundo igual, todo mundo bonito e confortável. Saúde popular, saúde comunitária.

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