Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

O quanto nos apegamos as coisas

em 13 de setembro de 2014

Apego, apego e apego, parece que nossa vida é só apego. Nos apegamos a tudo, vivemos em função do desejo de alcançar a felicidade,  todos os nossos atos são  desejos de felicidade.  Aquela pessoa, por mais absurda que seja, deseja ser feliz, sente apego por uma felicidade que não existe. Nossa realidade é uma criação, não existe, não existe nem um eu e nem um meu, ninguém é de determinada forma, pois tudo é mutável, tudo é vazio. Nos apegamos a ideia que construímos de nós mesmos, dizemos que somos assim e não tem mais jeito. Ô pobreza!

Criamos vários mecanismos de segurança e fugimos, fugimos, loucamente, porque ter lucidez é difícil, significa não ser fruto dos impulsos. Somos levados pelas historinhas que criamos em nossa mente, embarcamos nelas. Ahh não vou conseguir viver isso, terminar aquilo, sou fraco, sou forte, sou, sou… A gente se apega a ideia de felicidade e de sofrimento. Solidificamos as coisas, não percebemos a impermanência do que vivemos.

Nos apegamos também ao que desejamos do outro, mas não gostamos do outro, gostamos daquilo que o outro nos proporciona. E o sofrimento? Parece que nunca vai embora, mas ele vai, porque nada permanece pra sempre, a roda da vida gira e tudo que veio vai. Nos apegar pra que? A gente se apega a ideias loucas que criamos. Eu, por exemplo, sempre tive extrema segurança que nunca poderia, ou posso, ter câncer na vida, afinal, na minha família ninguém nunca teve. Mas que segurança existe na vivência do outro? Que garantia temos? Eu não tenho nenhuma.

Sempre penso em Foucault e o cuidado de si, acho que faz total sentido. Claro que como ele mesmo diz, não dá pra gente se apegar a ideia de liberdade, que se a gente praticar o cuidado de si seremos livres, porque liberdade é o que? Mas ao mesmo tempo é sim, é um tipo de liberdade olhar para nós mesmos e ter compaixão nesse olhar.

Sabe, você já parou pra pensar que daqui há alguns anos todos que estamos aqui agora estaremos mortos, inclusive você? Então nos apegarmos pra que? Dinheiro, casa, comida, roupas, namorado, é tudo ilusão. Você olha prx outrx e diz: é o amor da minha vida! Mas não é porcaria nenhuma. A vida é sua, o outro pode estar na sua vida no futuro ou não, não tem garantia nenhuma, o ideal é olhar pra quem está conosco e desejar que ela seja feliz mesmo sem a gente, que se liberte das causas do sofrimento. Ela pode estar ao nosso lado, mas não precisa, sabe, não precisamos de nada.

É tudo experiência, sempre é uma experiência. Mas isso não quer dizer que não podemos viver essas experiências. Essa semana mesmo dividi o tapete de meditação, foi tão bom meditar junto, compartilhar e sorrir. Meditar sozinha é bom, mas meditar em conjunto é bom também. Fiquei pensando nessa nova experiência de compartilhar a energia do outro, mas estar com a minha mente vivendo o movimento de meus próprios pensamentos, se conectar e se desconectar do outro, acho que isso é um tipo de meditação. Não nos apegarmos as experiências e aos outros não significa que não podemos viver em conjunto com o outro, mas que não vamos embarcar nas criações de nossa mente, que estamos lúcidos, não vamos nos abalar com as mudanças e interferências. Vamos é viver o caminho do meio.

 

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