Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Dia internacional da mulher

Ontem, 08 de março, foi o dia internacional da mulher. Tenho outras postagens neste blog que tratam deste tema, então não vou escrever o óbvio, ou seja, que este é um dia de luta das mulheres. Pois é, dar parabéns pelo nosso dia é de uma estupidez tremenda. Dar parabéns por qual motivo? Será que é por sofrermos violência a cada cinco minutos neste país ou sermos estupradas ou ganhar menos que os homens para exercendo a mesma atividade laboral? Então, acho que ser mulher é massa, mas dar parabéns em um dia de luta é meio oi? Aqueles papos de que as mulheres são melhores que os homens também é meio oi? Homens tem essa mania condescendente de dizer que nós mulheres somos seres melhores e superiores. Aff. Somos todos seres humanos, somos únicos e diferentes. Tem mulher mara, mas tem mulher traste por aí, a diferença é que nós não somos privilegiadas pelo machismo, enquanto os homens sim.

Ontem tivemos um ato aqui em São Paulo-SP, na verdade tem todos os anos. Confesso que estou meio aborrecida com umas questões e nem estou afim de entrar em maiores detalhes, mas a parte que nos toca, o ato foi bom. A Marcha Mundial de Mulheres trouxe alegria e palavras de ordens coerentes ao feminismo. Acho que o saldo foi positivo. Agora é continuar com a luta cotidiana para desconstruir o machismo.

No próximo sábado, 12 de março de 2016, vai ocorrer a Parada Lilás na cidade Santo André-SP. Conto com a presença de vocês para lutarmos juntas pelo fim da violência da mulher. Será na Praça do Carmo, a concentração será às 09 da manhã.

 

 

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Parceria entre mulheres: avisem a atual que o ex é um agressor.

 

 

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Imagem tirada daqui: http://lagesnoticias.blogspot.com.br/2015/10/outubro-rosa-abraco-coletivo-no-tanque.html

Tem um tempo que comecei a refletir sobre o assunto, foi graças a uma postagem da minha amiga Geo. Nós mulheres somos criadas para sermos rivais, ouvimos muito que mulheres não são amigas de verdade ou que não somos confiáveis. Pois é, fiquem sabendo que apesar desses absurdos que nos dizem, nós somos gente. Isso significa que somos de todos os tipos, logo, SIM, MULHERES SÃO CONFIÁVEIS E AMIGAS! Esse discurso é só uma estratégia do patriarcado para nos manter aprisionadas, pois se nós nos unirmos, ganharemos essa luta contra a opressão facilmente. Como assim existe uma categoria de ser humano que não é confiável? Você, miga, é confiável? Porque eu sou e muito confiável. Além disso, sou muito amiga, quem é meu amigo ou amiga sabe disso muito bem disso.

Seguindo os esclarecimentos iniciais, vamos lá! Você namorou um cara nojento, crápula, machista de merda, cabra safado, como você gostar de chamar. Esse cidadão cometeu violência doméstica com você (isso inclui te bater, humilhar, fazer gaslighting e/ou afins – lembrando que a violência psicológica DEVE ser levada em consideração). Aí o cara começa a namorar outra, você sabe que o triste é um predador, então o que você vai fazer? Ficar em silêncio? Ok, tem gente que não consegue lidar e isso é super válido, pois cada pessoa tem o seu tempo. Mas, digamos, que você tenha condições de lidar com a situação, que você fará?

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Coragem, homens! Vamos entrar na luta pelo fim da violência contra mulher!

 

Hoje, dia 06 de dezembro de 2014, é o dia nacional da mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. Como sou mulher, viver essa violência sempre fez parte da minha vida, seja ela “grande” ou “pequena”, poderia falar aqui das grandes coisas, mas quero falar das coisas “menores”, mais “sutis”, mas que nos afetam muito. Pedir que você, homem, abra um pouquinho seus olhos e faça da sua vida um motivo para acreditarmos que é possível. Nem todo homem é agressor, mas uma quantidade absurda é.

Todxs crescemos num ambiente de incentivo à violência, nos mandam cobrir nossos corpos, pois as mães que segurem suas cabritas que os bodes estão soltos por aí. Sei que o ditado não é bem assim, mas não sou boa em lembrar desse tipo de coisa, embaralho tudo mesmo. Neste contexto, é muito fácil convivermos com homens que possuem discurso de “bom moço”, que muitas vezes dizem ser defensores da luta feminista, mas na hora do vamos ver se tornam agressores. E olhe que nem estou falando das últimas tretas entre as feministas, estou me lembrando de casos que vi em uma vida inteira, pois pode ter certeza que essa discussão não vai acabar e nem começar com o que tem ocorrido na última semana.

Acho que é difícil pra um homem entender o que uma mulher passa, diariamente, mas é possível se solidarizar. Esse ano ando mais irritada do que nunca com homens que assumem o discurso feminista, mas não perdem a oportunidade de agredir suas parceiras, seria bem mais coerente assumir logo o capacete machista, mas não, se escondem atrás de discursos de apoio a luta pelo fim da violência contra mulher e descem o cacete na gente com o seu machismo.

Já me relacionei com caras que tentaram me diminuir porque meu lattes é mais robusto, que gritaram comigo por diversos motivos, que tentaram me humilhar por ter na época uma situação financeira instável e diante de todo horror das pequenas coisas, já fiquei sem teto e sem grana, porque se o amor acaba, te vira que tua casa é a rua. Poderia falar um monte sobre compaixão e amorosidade, mas a questão aqui não é esta, é o prazer de tentar exercer o controle e se sentir o grande macho em cima de uma mulher frágil. Ok, nunca fui frágil e dou a volta por cima, mas essas coisas que citei acima vivemos em nosso cotidiano, passamos com parceiros que escolhemos e acreditamos em seu discurso libertário e igualitário. Acreditamos que porque são igualitários no discurso, não serão machistas em suas atitudes. Acho que o mais importante é refletir que sou feminista, venho de uma família de esquerda e financeiramente estável, sou empoderada de mim e de meu corpo, mesmo assim topei e topo adoidado com machinhos por aí, então imagine o que deve viver uma mulher que não tem a menor consciência desse tipo de discussão? E ser feminista não é garantia de ser forte sempre, pois feminista também é gente.

Sou muito tolerância zero com machinhos, mas sou privilegiada, sou uma mulher independente, seguro minha onda emocionalmente e financeiramente, acho que por isso tenho conseguido cair fora logo de relações que poderiam me causar aprisionamentos, mas e se a situação fosse diferente? Se eu não tivesse essa segurança toda? Seria totalmente compreensível que eu me sentisse sem nada enquanto um homem me oprimisse, gritasse comigo e tentasse me humilhar. E esse tipo de situação é vivida por milhares de mulheres enquanto escrevo no conforto do meu lar e da minha liberdade.

Por isso, acho que essa luta seria muito mais fácil com homens conscientes do nosso lado, pois não adianta nada ter um discurso feminista e ser um machistão. Nos machuca cada atitudezinha machista, cada grito e tentativa de nos diminuir, é muito triste lidar com tudo isso. Nosso trabalho enquanto feministas é meio dobrado, mas estamos aí mesmo lutando pelo empoderamento feminino. Mulheres não são mercadoria, coisas que precisam ser vigiadas. Assim como a masculinidade – masculinidade, oi? – de ninguém é ferida quando um outro homem olha para sua parceira, pois ela não é sua ou sua mulher, não é uma coisa, sua posse. Leva uma vida para que a gente possa se empoderar e somos chamadas de vadias por nos acharmos donas de nossos corpos. Vivemos em um mundo machista, é uma luta diária e constante para nos mantermos em pé, por isso não ajuda em nada que você, homem, perpetue a violência de gênero oprimindo a sua parceira.

Nós, pessoas feministas, dizemos que se mexeu com uma, mexeu com todas. E é por aí, nos empoderamos e lutamos pelo empoderamento de outras mulheres. Nossas experiências são motivo para continuar lutando, sonhando com o dia com que nenhuma mulher viva violência alguma. As estatísticas são alarmantes, muitas mulheres são mortas, agredidas, estupradas… todos os dias. Mas não é “só” isso, somos diminuídas e menosprezadas por respirarmos, por decidirmos sair de casa, trabalhar e, principalmente, dizer que somos nós as donas de nossos corpos.

*Texto escrito por uma mulher cis, sobre relações hétero e cis. E posso afirmar que para uma mulher trans o buraco é bem mais embaixo.

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SOBRE MACHISMO, HOMENS FEMINISTAS E TRANSCENDÊNCIA DE GÊNERO

Acho que machismo é uma doença pior que ebola, essa porcaria gruda na gente e é muito difícil de sair. Vivemos em uma sociedade EXTREMAMENTE machista, é muito punk isso. Como feminista, luto, diariamente, contra o meu próprio machismo e o dos outros. E obviamente luto contra o machismo, também, das outras feministas, que falam merda, são transfóbicas. Ou seja, é uma luta diária, não dá pra relaxar nunca, porque sempre vem uma rajada machista, de qualquer lugar, até de nós mesmxs. Acho que o negócio é tentar ter a cabeça aberta e a percepção apurada para perceber quando o machismo bate dentro da gente.

Viver sem machismo é totalmente possível sim, mas que é difícil encontrar pessoas coerentes no mundo é.  Não estou falando mal de ninguém, só afirmando que ser feminista em uma sociedade opressora e extremamente machista é muito difícil, tanto que os caras “feministas” que namorei eram uns machistões. A questão não é xingar os caras de machistas de merda ou ficar aborrecendo com o papo de mulher ser machista. O buraco é bem mais embaixo, opressão de todos os lados, alienação, cegueira, burrice… mas, principalmente, dificuldade de lutar, de ser.

A dificuldade é transcender o discurso, então, quer ser um cara feminista? vamos ser feminista, mas sem tentar destruir sua companheira por ela ser mulher e ter se destacado mais do que você nas coisas. Vamos ser feministas? Mas sem agredir mulheres trans por dizerem que elas não são mulheres, pq tem pinto. E finalmente, vamos parar de ficar controlando a vida sexual feminina, as chamando de biscate, vadia e a murrinha seca toda. Apesar dessa fala toda, faz parte do meu ser acreditar no feminismo, principalmente no feminismo ciborgue, pq ficar com mimimi de marcas de gênero binário: fulano é homem, cicrana é mulher, beltrana não é mulher porque tem pinto… Zero paciência com isso, pq feminismo ciborgue é transcedência. Faz alguma diferença se eu pareço que nasci com vagina e beijo meninos com pinto? Mas se eu tivesse nascido um menino que no meio da minha infância me percebi uma menina que beija outras meninas. Faria alguma diferença? Isso me torna uma pessoa melhor ou pior? Catar coquinho na praia, não sou mulher, sou ciborgue.

Zero paciência com relações afetivas que envolvem pessoas machistas, principalmente, homens que acham bonito competir com mulheres e tentam diminui-las ao máximo “pela sua condição feminina”, machistas de merda não passarão! Ate porque eu nem mulher sou mais, sou ciborgue, pq prefiro fazer parte de um mito inônico apocaliptico, que é muito mais legal! ahhh o Manifesto Ciborgue da Haraway devia ser leitura obrigatória, pq tem gente por aí perdida falando em biologismo…. MELDELS! Eu cito Beauvoir e mando catar coquinho na praia. É brincadeira… já tive que ver homens que se dizem feminista ficar puxando papinho de diferenças biológicas entre homens e mulheres. Ok, nesse hora bate a budista, medito, penso na natureza vajra das coisas e bola pra frente com um argumento tranquilo… MACHISMO MATA, é uma grande merda, por isso temos que continuar na luta. Até que todos os seres estejam lúcidos e libertos. Um mundo ciborgue com transcendência total dos gêneros.

*Esse post é um desabafo que postei, inicialmente, no facebook.

PDF do livro: http://pt.scribd.com/doc/86532011/HARAWAY-Donna-KUNZRU-Hari-Antropologia-do-Ciborgue-As-vertigens-do-pos-humano-org-Tomaz-TadeU

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Coisas que uma sociedade racista faz por você

Djamila Ribeiro no I Encontro Feminista de São Paulo.

Você, um belo dia, está na faculdade e vem uma pessoa que mal te conhece e te diz: “ai nossa, se eu fosse você, com essa beleza, não estava aqui não. Tinha arrumado um gringo rico, você sabe que eles adoram mulheres negras”. Poxa vida, me descobriram! Mas, é claro que é isso! Sou modelo manequim frustrada que tentou ser garota do tempo e mulata do Sargenteli e não conseguiu. Daí, tive a brilhante de ideia de perseguir um marido rico para me dar bem. Aí, pensei: onde posso arrumar um gringo rico? No curso de Filosofia! Fiz quatro anos de graduação, agora estou no mestrado, mas ainda não consegui. Mas, estou na luta!

Você vai levar sua filha pra praticar uma atividade esportiva. Já não fala muito com as pessoas porque tem preguiça delas. Abre um livro da Beauvoir pra ler, coloca sua cara no modo “não perturbe”, mas mesmo assim, do nada, vem uma alma que mal te conhece, mexer na capa do seu livro e te dizer: “estava te olhando de longe e não acreditei; vim ver mesmo se você estava lendo Beauvoir!” Mas é claro, que ela tinha que ficar surpresa, eu estudo Beauvoir no mestrado, já apresentei trabalhos sobre a obra dela, mas bem feito pra mim, que mandou não ter cara de quem estuda. E ainda por cima, estava lendo um livro em inglês, como assim, uma negra bilíngue? É o fim dos tempos!

De novo, você leva sua filha para praticar esporte. Enquanto está lá, ouve música porque tem preguiça das pessoas que lá estão. Aí, uma senhora, que não te conhece, se aproxima de você, faz você para de ouvir a linda da Nina Simone e te diz: “olha, estou procurando alguém pra limpar a minha casa, se você conhecer alguém, avisa o tal professor”. O professor, em questão, também era negro e com certeza a gente devia ser da mesma família. Lógico, a Thulane só está lá porque ele deu uma bolsa pra ela. Eu estava lá, no mesmo espaço que ela, esperando minha filha, (que pasmem, é negra!), mas eu deveria estar perdida por lá ou deveria ser consultora de recursos humanos domésticos para dondocas sem noção.

Você está em algum espaço que as pessoas julgam que não é pra você. As pessoas te olham com aquela cara de quem deixou esse povo entrar ou te olham como se você fosse algum experimento científico que deu errado. Não satisfeitas, elas vem te abordar e fazem um interrogatório: “onde você mora?” “Trabalha com o que?” “seu pai fazia o que?” “onde sua filha estuda?” Pessoas que nunca te viram ou que mal te conhecem. É um excelente modo de se fazer amizade, na verdade, é super comum você sair fazendo perguntas invasivas pra pessoas que você nunca viu. Inclusive, é um método recomendado pelo guia de etiqueta da Glória Kalil.

Você está conversando com algumas pessoas, quando de repente, uma para, te olha com surpresa e diz: “nossa, você é inteligente, fala bem!” Puxa, que pessoa bacana, ela ficou surpresa por eu saber falar! Ou quando não muito, quer ser parabenizada por não se considerar racista: “sabe, eu não discrimino ninguém, inclusive deixo meus filhos terem amizade com pessoas como você!” Olha,que pessoa maravilhosa!! Da próxima vez vou pegar o nome completo dela e mandar fazer uma placa em homenagem a ela!

Depois, ainda tem gente, que vem dizer que a gente só fala em racismo e fica postando o vídeo do Morgan Freeman dizendo que o melhor modo de acabar com o racismo é não falar sobre. Claro, porque a gente fala de racismo porque gosta. A sociedade é tão maravilhosa, todas as pessoas são tratadas igualmente e com respeito, que daí, a gente seu auto oprime. Na verdade, vou contar um segredo: @s pret@s, as bichas, as sapatas, as travas e trans, se reúnem mensalmente e fazem uma cúpula noturna. A cada reunião, a gente decide quem vai ser o grupo oprimido da vez. Aí, a gente se auto flagela também que é pra dar mais veracidade e emoção. Ironias, a parte, como tem pessoas que não tem a mínima noção do que está fazendo no mundo! A impressão que dá é que elas vieram de um planeta distante e resolveram parar a nave espacial na Terra, olharam para o Brasil, quiseram ficar, mas mantém a cabeça no outro planeta. Não tem a mínima noção dos problemas sociais do país em que vive, e pior, culpa o outro, quando esse outro se impõe contra isso. Impressionante. Ou tem aquelas pessoas que dizem que só o pensamento positivo cura e que devemos parar de falar no mal que nos aflige. E ficam numa bolha de otimismo que dá medo, vai que pega. Ser positiva diante da vida é importante, não nego, mas achar que tudo se resolve com isso, beira à loucura. Será que o Amarildo não pensou positivo o suficiente? Ah, me poupe. Algumas pessoas, em vez de questionarem porque estão incomodadas com sua presença, querem procuram motivos para legitimar o incômodo delas te incomodando. Praticamente um trava língua. Já naturalizaram tanto que negras não devem estar em certos espaços, que não se questionam sobre isso, ao contrário, acham que você está invadindo o espaço delas.
Por isso, que digo: não sou obrigada a conviver com esse tipo de gente por vontade própria. Já basta ter que enfrentar o racismo institucional e pessoas que não dá pra evitar. Justamente por isso, que não dou a mínima para algumas pessoas, que me afasto ou ignoro mesmo. Não faço a mínima questão. Não sou obrigada a conviver com pessoas que ficam muito surpresas por me acharem inteligente. E ouvir isso de pessoas que acham que o Che Guevara foi um assassino frio e sanguinário e acreditam no golpe comunista de 2014. Ouvir isso de pessoas que colocam @ filh@ numa escola que usa conceitos de Piaget e Vigotsky e fiam perturbando a professora perguntando porque não ensinam matemática de modo “convencional”. Daí, quando você fala brevemente sobre os dois autores e fala sobre o construtivismo, aí sim elas tem certeza que você é a criação do vírus ébola. Eu quero estar perto de pessoas que tratam as outras como pessoas. Uma frase tão óbvia, mas ao mesmo tempo tão distante. Depois não adianta me chamar de antipática, eu é que não vou morrer de úlcera e nem cansar minha beleza tendo que conversar com pessoas assim. Como diz, meu lindo amigo, Didz de Lautaro, já basta o mundo pra nos oprimir, não precisamos de pessoas assim no nosso convívio. Tomei essa resolução pra minha vida; me faz muito bem. Sem culpas, sem medo de ser rotulada de anti social. E, falando no lindo do Didz, adorei uma frase que aprendemos num curso que fizemos juntos: “não basta resistir, tem que vicejar!” E continuarei vicejando negra e linda e jogando minhas tranças para essas pessoas sem noção.

* Texto de Djamila Ribeiro – Mestranda no programa de Pós-Graduação em Filosofia na Unifesp.  Djamila é uma mulher inteligente pra caramba, filósofa transgressora,  absurdamente, linda e mãe de uma menina ultra graciosa. 

Djamila Ribeiro

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Meu ex-amigo gay e machista

Ando meio fofoqueira esses dias, só pode, pois estou revisitando histórias pessoais antigas no blog. Lembrei desse ex-amigo quando uma amiga questionou: como uma pessoa pode ser gay e machista? Pois é, pode até parecer contraditório, mas não é. O machismo faz parte da organização do discurso de nossa sociedade, ele está em todos os locais, muitas vezes reproduzimos e nem nos damos conta disso, mas não perceber não significa que não somos machistas e nem que ele não existe. Vou dar um exemplo bem comum, quantas vezes não questionamos a androginia? Ao olhar para uma sapatão que tem um estereótipo “mais masculino” o que você pensa? Controlamos o corpo dos outros o tempo inteiro. E se a pessoa for trans, como você se sente em relação a ela? Pense nisso!

Esse meu ex-amigo que citei, eu achava que era um cara legal, pois não convivia tanto, mas era bem o esquema “#TamoJunto”, entretanto, sem convivência não fazia ideia de certos comportamentos dele. Teve todo um rebuliço na minha vida e passei a conviver mais com a criatura, e aí me deparei com uma situação que pra mim era muito bizarra. Ele sempre comentava que seu namorado era a mulherzinha da relação, tanto por questões íntimas que não citarei aqui, quanto por ser mais delicado e sensível. Opa, agora peraí, como assim? Mulherzinha? Tem a necessidade de uma pessoa que vive uma relação homossexual transplantar para si um modelo machista e hétero?  Na cabeça dele, mesmo entre pessoas do mesmo sexo estão estabelecidos um padrão binário de gênero. Bizarro!

E como esse namorado era a “mulher”, ele destratava muito, não tinha o menor respeito, e, principalmente, falava do menino com muita hostilidade, fora as questões extra-conjugais, mas aí não sei se posso classificar como machismo, pois nunca me envolvi com os detalhes e motivações. Outro detalhe na fala dessa criatura, era criticar lésbicas exaustivamente, sempre dizia que sapatões são loucas que só sabem casar, além de utilizar uma infinidade de termos pejorativos para designá-las.

Ok, tudo isso é uma barbaridade, mas quais os motivos que me levaram a trazer essa história? Vejo muita gente espantada questionando como podem existir gays ou mulheres machistas.  Gente, pessoas são machistas  e ponto. Pode parecer bizarro que uma pessoa que seja oprimida pelo machismo reproduza esses discursos, mas para pensar essas questões acho a leitura do Foucault é fundamental, pois ele diz que nós reproduzimos as técnicas do poder não só pela repressão, mas pelo prazer que sentimos na reprodução dos discursos.  Você pode encontrar esse trecho no livro “Vigiar e Punir”.

 

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A homofobia e um ex-namorado homofóbico

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A homofobia é algo que me causa sempre muito espanto, pois não faz sentido pra mim, não consigo compreender como a sexualidade do outro pode me afetar. E sempre que penso em pessoas homofóbicas lembro de uma situação que ocorreu comigo.

Tive um namorado há alguns anos atrás que não me parecia homofóbico – sou um ser bem esperançoso -, embora as vezes falasse sobre ditadura gay, mas eu rebatia prontamente e ele parecia concordar. Em uma noite de bebedeira e angústia – dele, pois não bebo álcool -, me confessou que se sentia atraído por homens, que sempre teve curiosidade de saber como era se relacionar com eles e que havia, inclusive, tentado paquerar um conhecido gay, mas que havia recusado e ele nem entendia o motivo.

Respondi que gays são gente, não são obrigados a ter interesse sexual por todas as pessoas do mundo, depois o incentivei a viver seus desejos, que não fazia o menor sentido passar pela vida e não experimentá-la. O relacionamento acabou um tempo depois, e perdi o contato com o cidadão, mas anos depois o reencontrei e soube que tinha se tornado um cara homofóbico. E a primeira coisa que pensei foi: como um cara que sente desejo por homens é homofóbico? Sou boba, não? A resposta está aí, reprime-se tanto que sente raiva do seu objeto de desejo.

Se eu acho que todo homofóbico ou homofóbica sente desejo por pessoas do mesmo sexo? Não, pois odeio generalizações. Acho também que muitas pessoas são incitadas pelo grupo a reproduzir um discurso, então se o pastor da igreja ou a sua família fala o tempo inteiro que homossexualidade é pecado e afins, a pessoa pode reproduzir. Entretanto, uma coisa fazer um discurso imbecil sobre pecado – Estado Laico!!! -, outra é agredir e incitar o ódio contra as pessoas.Imagem

(Imagem tirada daqui: http://paroutudo.com)

Sinceramente? Acho que pessoas que sentem  ódio de gays têm um desejo reprimido, pois não faz sentido isso. Eu vejo um casal de sapatão, por exemplo, se beijando, e não me afeta em nada, não tenho vontade de beijar também… Isso muda o que na minha vida?? São as outras pessoas, não eu.  E sobre o discurso de defesa da família, pergunto a você: o que é família? Vá estudar um pouco e ver que essa família como conhecemos surgiu no final do século XVIII e está diretamente relacionada a manutenção da propriedade privada, aff.

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(Imagem tirada daqui: http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/criancas-adotadas-lesbicas-vao-melhor-escola-estudo-567253.shtml)

Família deveria ser amor entre pessoas, apoio, suporte e pronto, e não pai, mãe e filhos, filhas. Quer dizer, por exemplo, que uma família de filho ou filhas + mãe ou pai solteiro não são considerados uma família? Ou um casal não é considerado uma família? Nada disso faz sentido, uma família deveria ser composta por pessoas que se amam, simples assim.

Se você sente ódio quando vê um casal do mesmo sexo juntos, que tal olhar para você e tentar entender isso? Por que te afeta tanto? E se você for religioso, pense: você não deveria amar as pessoas, qual o motivo de tanto ódio?

Para finalizar, acho que as pessoas deveriam refletir sobre a diferença entre o individual e o coletivo. A fé é algo individual, você acredita, faz sentido pra você. É até legal você querer expandir a sua felicidade para os outros – sendo simpática! -, mas eles não têm a menor obrigação se sentir como você, de crer nas mesmas coisas e isso não significa que são pessoas ruins, só são diferentes. E diferença é algo intrínseco ao ser humano, se toca!

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História do feminismo

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Todos sabem que falo muito sobre feminismo aqui, mas gostaria de dividir com vocês um pouco das pesquisas que faço no mestrado, então, que tal iniciar por uma breve história do feminismo?

A primeira fase do feminismo é conhecida como feminismo da igualdade e se dá pela luta das mulheres em fazer valer os seus direitos. Desde o final do século XIX, quando médicos fizeram estudos no qual apontavam que as mulheres eram biologicamente inferiores aos homens e com isso, não possuíam uma capacidade de raciocínio tão rápido quanto os homens, eram mais fracas fisicamente e cognitivamente inferiores. Assim, apontavam por meio dessa “comprovação científica” que as mulheres eram inferiores, e esse discurso de desigualdade destoava do contexto de discursos democráticos na época, sendo assim, era uma democracia com desigualdades e esses estudos motivaram as mulheres a buscar provar que eram iguais aos homens e não inferiores. (BRAUN, 2006)

Sobre essa questão de inferioridade feminina, Winnicott diz:

Talvez a pior parte, do ponto de vista sociológico, seja o lado masculino desse delírio em massa que faz com que os homens enfatizam o aspecto “castrado” da personalidade feminina, o qual, por sua vez, ocasiona uma crença na inferioridade feminina. (WINNICOTT, 2005, p.187-188)

Para o psicanalista, apontar que as mulheres são inferiores é um problema, que gera conflitos entre os diferentes gêneros. Esse “delírio” foi amplificado para os papéis sociais e corroborado por meio de “teorias científicas”, que nesse contexto não se apresentam como neutras, como aponta Sandra Harding, sobre o uso da ciência para privilegiar determinados grupos.

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Nesse sentido, coube às mulheres encontrarem formas de demonstrar que eram iguais aos homens, e é nesse contexto, que nos anos de 1970 ocorre uma expansão do feminismo e o ano 1975 é decretado o ano internacional da mulher em muitos países ocidentais. Todavia na produção acadêmica nem sempre as mulheres eram reconhecidas como iguais aos homens. Só a partir de 1980, com o surgimento do feminismo da diferença que o enfoque epistemológico e político dessa contribuição voltou-se para a cultura das mulheres.

Esse feminismo dirá que as mulheres são subjetivas e que é importante que as mulheres sejam assim, pois elas humanizam a ciência e as relações sociais, o que não poderia ser aceito até então. Reconhecidas nas suas especificidades deitou-se por terra no meio acadêmico a sua inferioridade. Esse novo feminismo aceita que as mulheres são diferentes dos homens, mas questiona a dicotomia das relações de gênero. (Sandenberg e Costa, 2002, p. 33)

“Os estudos de gênero mostraram que tais ideias binárias, expressas em símbolos e normas sociais, estruturaram instituições, foram oficializadas em leis, e encarnaram em identidades pessoais, ou seja, participaram e participam da construção de uma realidade social, são aspectos da nossa ordem social. Quem começa a perceber sua onipresença poderia até desconfiar que são eternos.” (GIFFIN, 2005).

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Nesse sentido, a crítica feminista passou a enfrentar o neoliberalismo e as visões utilitárias das ciências e tecnologias, somando-se aos estudos sociais das Ciências e Tecnologias, nos quais se entrelaçam C&T às práticas culturais de uma comunidade local, seus valores e sua relação com o ambiente. Para aprofundar o entendimento dessa dicotomia presente nas relações de gênero, surge nos anos 90, o feminismo crítico, que vai discutir não só essa dicotomia, mas a dicotomia também da ciência e da sexualidade. Vai apontar que os sujeitos e a ciência são construções coletivas, sociais e relacionais. Por sua vez, o feminismo crítico também é conhecido como pós-feminismo, recebe críticas de muitas teóricas do feminismo e algumas outras não o reconhecem como um movimento, nesse sentido. Portanto, é válido ressaltar, que não existe um só feminismo, mas múltiplos feminismos. (Sandenberg e Costa, 2002, p. 35)

Referências bibliográficas

BRAUN, Ana Beatriz Matte. Mãe do menino, Daniela, Maria Camila, Helga e a mulher do moço do saxofone : a representação da mulher em cinco contos de Lygia Fagundes Telles. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduação em Letras. Curitiba, 2006

GIFFIN, Karen. A inserção dos homens nos estudos de gênero: contribuições de um sujeito histórico. Ciência e Saúde Coletiva,  v. 10, n. 1, p. 47-57, 2005.

HARDING, S. A instabilidade das categorias analíticas na teoria feminista. Estudos Feministas, v.1, n.1, p.7-31,1990.

SARDENBERG, C.M.B. e COSTA, A.A. (orgs.) Feminismo, Ciência e Tecnologia. Salvador: Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre Mulher e Relações de Gênero (REDOR), Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), Universidade Federal da Bahia, Coleção Bahianas, v.8, 2002

WINNICOTT, Donald W. Tudo Começa em Casa. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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Onde você guarda o seu preconceito?

Imagem tirada daqui: http://redesaudedapopulacaonegra.org/

Resolvi começar esse ano com  a gota serena, relatando um episódio que ocorreu na minha vida em 2012, e trazendo para que nós pudéssemos problematizar um pouco.

Em 2012, vivi um episódio de preconceito racial, e foi algo que me deixou tão triste e perplexa, que demorei um tempo para conseguir lidar, racionalizar, viver, entender… Fui com meu companheiro para o aniversário de uma colega dele, que em meio a uma conversa, afirmou que ele se parecia muito com seu ex-cunhado, que era louro e de olhos azuis, todavia, tinha um porém, a mãe dele, apesar de ter a minha cor, tinha tido um filho branco, mas ela não sabia como, já que a mulher tinha um “pezinho”…

Esse “pezinho”, apesar dela não ter terminado a frase, é um pezinho na senzala. E a minha pergunta para vocês é: quem nunca ouviu essa frase na vida? E mais ainda, quem nunca sofreu ou ouviu falar de alguém que tivesse sofrido preconceito?

Preconceito racial é uma das coisas que mais me enojam no mundo. Sou feminista porque acredito na igualdade, que todos os serem devem ser tratados iguais, sendo assim, uma das minhas lutas é contra o preconceito. E quantas vezes debatemos esse assunto aqui? Quantas discussões já tivemos?

Algumas pessoas podem alegar, que a moça não teve a intenção. Não sei se essa intenção existiu ou não, mas preconceito racial é crime, não interessa se a “coitada” é uma alienada idiota… interessa que perpetuar esse comportamento, só mantém as desigualdades. Por isso, minha posição  é de trazer os assuntos para discussão, pois acredito que nos calar diante de algumas situações, é só manter o status de úteis e dóceis. E eu sou gente, não coisa!

Ideias que sustentam a superioridade de algum povo, só resultou em eugenia, nazismo, escravidão, morte de milhões de pessoas… no caso específico da escravidão, quantas vidas foram tiradas, subjugadas, humilhadas, para que a manutenção das diferenças sociais fossem cada vez mais fortalecidas? É por acaso que a maioria pobre e miserável seja negra?

A minha luta é diária, e não me interessa que argumentem que não sou negra pois meu cabelo é liso, que minha tez é moura ou que a cultura árabe está impregnada em mim. SOU NEGRA, SOU BRANCA, SOU GENTE! Para quem ainda não sabe: SOMOS TODOS GENTE! E como gente, lutarei sempre contra a opressão, seja do capitalismo, do machismo, da imbecilidade opressora ou da moral que escraviza mulheres e homens. Para mim, não somos negros, brancos, amarelos… somos gente, e como gente, merecemos respeito.

Por isso, preconceituosos nojentos, a minha luta é pela igualdade e respeito. Continuarei em luta enquanto mulheres forem violentadas, homossexuais não tiverem o direito de se expressar e pessoas sejam percebidas como coisas com cores distintas. Somos só pessoas, mais nada! E é com tudo isso que começo o nosso 2013, desejando um mundo em que todos sejamos gente, só isso!

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Namorado feminista, experimente você também!

Esse negócio de relacionamento afetivo não é fácil, pelo menos nunca foi pra mim! Essa coisa cultural machista e idiota deixa os homens um saco! Cheios de fricotes! Além de que, esse lance de ter que mata qualquer relação, é um tal de homem ter que ser provedor, ter que ser forte, ter que pegar todas as menininhas pra mostrar que é muito macho!!! Resumindo? Não tenho a menor paciência com #mimimi!

Pois é, aí minha filhx, descobri que um relacionamento leve é mara!! Como foi que eu consegui isso? Com um cara feminista que divide as mesmas ideologias que eu! Simples assim! E mais básico ainda, se você é uma daquelas pessoas que acha que só mulheres podem ser feministas, dá uma lida nos meus textos anteriores, ok?

A vida com um cara feminista é simples, não existe tarefas de meninos e tarefas de meninas, as obrigações da casa não são minhas, são nossas, a obrigação de pagar a conta não é minha ou dele, é nossa! Todas essas questões são resolvidas com bom senso, faz mais atividades ou paga mais quem tem mais grana ou tempo, lógico! É absurdo pensar que em algumas casas a mulher trabalha fora, o cara fica em casa e não faz nada, nem coloca a comida no próprio prato, você já parou pra pensar nisso? Porque a mulher deve ter jornadas duplas, triplas… porque mesmo trabalhando fora precisa cuidar das crianças e do serviço doméstico sozinha?

Mas existem outras questões mais complexas e importantes do que limpar casa, que é o respeito a minha identidade, vivo com um cara que me respeita pelo que sou e não fica como #mimimi dizendo que sou a mulher mais inteligente que ele conhece porque toda mulher é burra!! Não fico com um cara que se acha mais do que eu por ser homem, estou com um cara que sabe que também sou gente e que segue na luta ao meu lado, na militância por um mundo mais justo!

Todxs sabem que estou doente, fazendo um bendito tratamento pra endometriose, pois já tocamos nesse assunto aqui e tocarei bem mais, pois todxs precisamos dizer não a dor, cólica não é normal! Assim, um cara feminista não vai dizer que sua dor é nada, vai estar do seu lado, não vai te achar estragadinha porque está doente, porque sabe que você não é uma coisa, não é um prêmio, é gente! Mas acho que o principal é que um cara que compartilha de preceitos feministas te percebe como uma companheira, como uma cúmplice, vai estar do seu lado porque é assim que parceiros fazem!

Um homem feminista não acha que precisa trocar de mulher como troca de carro, por um modelo mais novo, mais burro e mais artificial, pois sabe que as relações entre as pessoas não devem ser coisificadas, não somos coisas! Assim, não vai ficar dizendo que a mulher precisa emagrecer, fazer plástica e ameaçar de arrumar um modelo mais novo se isso não ocorrer. Isso não quer dizer que não pode ocorrer uma separação, claro que pode, mas não porque a mulher engordou ou envelheceu e ele precisa de um modelo mais recente, feministas se relacionam com pessoas, não com objetos!

Um outro fator fundamental em uma relação feminista é o respeito ao espaço do outro, feministas sabem que nos relacionamos para nós mesmos, não para os outros, então pra que viver uma relação fake? Ciúme existe, mas não porque somos donos dos outros, ninguém tem que mandar no outro, dizer com quem pode ou não pode falar, isso é absurdo! Uma relação feminista é uma relação livre e exatamente por isso não tem um modelo, cada um faz o seu e pronto. Uma família feminista não segue um modelo, porque as relações de gênero não são duais, não somos bonequinhos com formulinhas prontas, podemos ser e sentir coisas infinitas, não temos que ser, somos!

Minha relação é hétero, então o texto pode até parecer cissexista, mas estou falando da minha experiência e acho que ela até pode ser aplicada pra qualquer configuração possível, pois ser feminista significa buscar a liberdade, mas no sentido foucaultiano das técnicas de si rss das artes da existência, não devemos ficar sujeitos a #mimimi, não temos que ser dóceis e úteis, somos gente!! Então, acho que ser livres e amar o outro de forma livre, não depende de nada, por isso sempre digo que nos apaixonamos por pessoas, só isso! E a minha pessoa feminista, meu companheiro feminista, me mostrou que é possível ter liberdade, amar livremente, pois amamos e desejamos que o outro possa viver todas as possibilidades do seu ser. Isso pode ser vivido num relacionamento monogâmico também e digo isso pelo mito que existe que ser livre num relacionamento é ter relacionamento aberto… acabei de falar sobre modelo fixo, então, fica a dica! rss  Somos o que somos e não aquilo que devemos ser!

Por isso, quando alguém vem falar argumentos homofóbicos/machistas (homofóbico e machista é redundante), mando catar coquinho na praia, odeio esse ter que, – que coisa!! – ser contra o amor é ridículo! Não sabia que existe uma forma certa ou errada de amar, não sabia nem que existe certo e errado. Mas existe violência e violência não é tolerável, não existe justificativa para ela, agressor é agressor e pronto! Vamos viver, amar e ser livres!!

Amor!!!

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