Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

O amor como meio, não como fim.

Flávio Gikovate*

Há algo de errado na forma como  temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor.

Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial.

Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de “contaminação” para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo.

Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados. Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor.

Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”.

Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

*Formado pela USP em 1966, desde 1967 trabalha como psicoterapeuta, dedicando-se principalmente às técnicas breves de psicoterapia. Em 1970 foi assistente clínico no Institute of Psychiatry da Universidade de Londres. É autor de livros que se tornaram best-sellers internacionais. Flavio é presença constante nos pragramas de tv e tem um programa na CBN, todos os domingos das 21 às 22 h. Os textos aqui publicados fazem parte de uma coletânea de textos do autor, publicados em jornais e livros.

** Nós do Variedades Femininas gostamos muito do psicanalista, recomendamos os livros dele, são ótimos! Você pode encontrar os textos dele no site http://www.vaidarcerto.com.br,  Texto publicado originalmente em: http://www.vaidarcerto.com.br/site/artigo.php?id=699

Anúncios
Deixe um comentário »

Bullying – O terrorismo Psicológico

Marcelo C. Souza*

Uma das maiores preocupações da Psicologia e dos educadores sem duvida é o Bullying. A palavra não tem uma tradução exata e no português é traduzida mais ou menos como assedio moral.

O bullying já é uma patologia social. É definido como a imposição de sofrimento intencional em relações de desigualdade. Para exemplificar, podemos falar de um aluno dito popular de uma escola que faz de tudo para humilhar e expor um defeito (às vezes nem tão aparente) do colega que só tira notas altas ou então o rapaz musculoso que inferniza a vida de um colega mais fraco fisicamente ou um “tímido” que é exposto de forma que cause maior constrangimento possível. No Brasil a forma mais típica de Bullying são os apelidos humilhantes exaltando defeitos físicos e as agressões físicas.

O Bullying infelizmente é presente no mundo todo e em alguns países, as vitimas cometem atos extremos com mais freqüência como homicídios e suicídio como vimos nos recentes ataques em escolas dos Estados Unidos, onde vitimas de Bullying invadiram a própria escola com armas pesadas e assassi
naram muitos colegas e logo após cometeram suicídio. Nas cartas deixadas pelos suicidas, vemos referencias as constantes humilhações que passaram e que tomados pela depressão e transtornos de ansiedade não viram outra forma de acabar com o sofrimento que não fosse com o suicídio, mas não antes de levar todos os agressores consigo. Uma explosão de raiva e ódio sem limites como reação ao que sofreram.

No Brasil, é mais raro acontecer assassinatos como resultado de anos de humilhações e agressores físicas que as vitimas sofrem. Porem, a taxa de suicídios é alta, mas infelizmente é velada. Medicamente o Bullying não é reconhecido como causadora de suicídios (que são atribuídos a depressão, que por sua vez foi resultado direto da vitimização).

*Marcelo C. Souza
Psicólogo
Analista do Comportamento
email : marcelocds11@hotmail.com

Texto Publicado originalmente na Redepsi em http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1621 Visite o site e leia mais sobre o assunto

Deixe um comentário »

SORRIA!

Quem é adepto do pensamento de que “beleza é fundamental.”, tenha certeza de que beleza interior não é só coisa para decorador.  A beleza do rosto também é importante, mas é preciso saber que há algo mais importante que isso. Por mais bonita que seja uma paisagem, se for vista num dia chuvoso provocará em quem a vê um sentimento de tristeza e melancolia. Assim também, por mais lindo que seja um rosto, se estiver sempre triste, com dificuldades despertará a admiração dos outros. O fato é que a beleza do caráter supera a beleza do semblante. Quem nunca se perguntou: “Fulana é tão nova e aparenta ser 5 ou 10 anos mais velha, como pode?” Há várias explicações, mas por ora consideremos que uma pessoa mau-humorada além de causar uma desagradável impressão, essa mesma pessoa está contribuindo para encurtar seu tempo de vida, tornado agressivas e duras as linhas do seu rosto, fazendo surgir as rugas e trazendo doenças pro seu corpo, como por exemplo, o reumatismo, a neuralgia e até a cólica menstrual. Esse fato é comprovado por especialistas no assunto. A mente irritada é uma vilã que mina a beleza do rosto e da juventude. Não há nada mais importante do que a harmonia mental, pois ela o segredo para um aspecto fisionômico agradável e jovial. Um sorriso suave é encantador, um caráter pleno de alegria e simpatia transformam um ambiente. E o fundamental: transformam-nos em pessoas realmente belas.

Deixe um comentário »

Imagem corporal e auto-estima

Fatores sociais, influências socioculturais, pressões da mídia e a busca incessante por um padrão de corpo ideal associado às realizações e felicidade estão entre as causas das alterações da percepção da imagem corporal, gerando insatisfação em especial para indivíduos do gênero feminino.

A distorção da percepção corporal, ou seja, superestimar ou subestimar o tamanho e/ou forma do corpo, não constitui característica particular de adolescentes que desenvolvem algum tipo de transtorno alimentar, uma vez que se torna cada vez mais presente na dinâmica vivencial dos indivíduos dessa faixa etária. A relação com o espelho é vivida de forma angustiante, a gordura é encarada como um estorvo e pejorativa, enquanto que a magreza é a solução da angústia.

O baixo peso parece oferecer satisfações específicas com possíveis atitudes e reações peculiares. Ou seja, ser magra, para mulher, simboliza competência, sucesso, controle e atrativos sexuais, enquanto excesso de peso e obesidade representa preguiça, indulgência pessoal e falta de autocontrole e força de vontade. Sendo assim, o excesso de peso oferece uma conotação pejorativa, sendo, possivelmente, uns dos fatores explicativos para a insatisfação feminina.

A auto-estima tem impacto no modo como vemos o nosso corpo e está relacionada com a maneira como uma pessoa valoriza as suas habilidades físicas, aptidões, capacidades inter-pessoais, papéis familiares e imagem corporal.

Pode-se então, desenvolver uma auto-estima pobre se os padrões corporais “ideais” não forem alcançados o que poderá resultar em percepções erradas e negativos sobre o próprio corpo.

As pessoas com uma imagem corporal negativa costumam:

– fazer exames físicos excessivos (pesar, medir e provar roupa)

– disfarçar o seu tamanho e forma usando roupa larga e grande

– evitar situações sociais que possam desencadear uma auto-consciência física

– evitar expor o corpo (não usando fatos de banho ou calções)

– dão uma importância excessiva ao aspecto físico ao auto-avaliar-se

– tem uma preocupação angustiante com o próprio corpo

– sentem vergonha e/ ou acanhamento

Uma imagem corporal positiva revela:

– auto-confiança, energia, vitalidade e auto-avaliação positiva

– sentimentos de beleza e atração

– confiança e respeito pelo próprio corpo

– liberdade de expressão corporal não dependente do peso

A imagem corporal desempenha um papel importante na consciência de si, pois é tanto imagem mental quanto percepção; se a percepção do corpo é positiva a auto-imagem será positiva, e se há satisfação com a imagem do seu corpo, a auto-estima será melhor.

1 Comentário »

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO

Conquistar o estado de bem-estar e qualidade de vida em todas as dimensões é esforço diário do todos nós. Essa busca perpassa, dentre outros, pelo ambiente de trabalho, convívio familiar e a saúde numa perspectiva biopsicossocial.

O trabalho deveria ser fonte de prazer, satisfação e realização e, no entanto, há quem se queixe das condições de trabalho, da competitividade excessiva entre os colegas e até dos atos abusivos de gestão.

O assédio moral, também conhecido como hostilização do trabalho ou violência moral e psicológica do trabalho é tão antigo quanto a própria divisão do trabalho. Inicia-se com a negação da existência da diversidade, no momento em que esta é negada, adota-se um comportamento desrespeitoso e preconceituoso frente ao outro. São discriminações sexistas, de idade e tempo de serviço, de etnia e raça, de formação acadêmica e até mesmo em razão da competência e comprometimento no trabalho.

As relações assimétricas em função do abuso de poder, perseguições, humilhações e discriminações por parte dos gestores, cujos atos e assédio, muitas vezes são reproduzidos pelos colegas, causam extremo sofrimento nas pessoas assediadas, favorecendo o surgimento de enfermidade, a depressão, ansiedade e síndrome do pânico são as mais comuns.

O adoecer psíquico tende a repercutir no convívio social e doméstico, o que torna os amigos e familiares vítimas potenciais dessa forma de violência, provocando desajustes, perdas financeiras e até desestruturação dos relacionamentos.

Algumas atitudes são necessárias para recuperar a dignidade, identidade, respeito no trabalho e auto-estima. Aí vão algumas dicas:

  1. Resista: não se deixe abater, converse com os amigos na empresa e, sobretudo com a família quanto a acontecimentos e tipos de relacionamento das chefias;
  2. Fortaleça laços: o companheirismo, a boa amizade, a sinceridade entre amigos, as relações afetivas que permitam haver confiança para falar o que sente;
  3. Solidariedade: ser solidário é fundamental. Ter a capacidade de sentir que uma injustiça cometida contra o colega o afeta de alguma forma.
  4. Visibilidade Social – Denuncie: o isolamento e o silêncio são muito ruins para você e para o conjunto dos colegas na empresa. Se perceber que está diante de uma situação de assédio moral, denuncie, reclame. Coloque a “boca no mundo” para evitar que a sua saúde física e mental sejam prejudicadas.
2 comentários »

Unidade nos relacionamentos – 2/ 2

Estávamos na semana anterior pensando os relacionamentos, pois bem, quando você permitir que o outro seja como ele realmente é, observará que ele ou ela começará a mudar. Neste caso, dizemos que você o acolheu, permitindo que entrasse no espaço do agora.

Ouvir com verdadeira atenção é uma forma de trazer calma ao relacionamento, facilitando a mudança. Quando você realmente ouve o que outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral, as pessoas concentram maior parte de sua atenção no que estão pensando. Na melhor das hipóteses ficam avaliando as palavras do outro ou apenas usam o que outro diz para falar de suas próprias experiências. Ou então não ouvem nada, pois estão perdidas nos próprios pensamentos.

Na origem dessas experiências se encontram os padrões básicos do “eu” autocentrado: a necessidade de estar com a razão e, é claro, de que o outro esteja errado – ou seja, a identificação com modelos criados pela mente.

Julgar alguém ou algum fato é criar sofrimento para si mesmo. Somos capazes de criar todos os tipos de sofrimento para nós mesmos, mas não percebemos isso porque de certa forma esses sofrimentos satisfazem o ego. O

“eu” autocentrado, que acabamos de falar, se sente mais confortável no conflito. Como a vida seria mais simples sem essas histórias que o pensamento cria! Rotular uma coisa como ruim provoca uma tensão emocional. Se você deixar que as coisas existam sem classificá-las, passa a dispor de um enorme poder. Você pode aprender a reconhecer todas essas formas de sofrimento na hora em que ocorrem e dizer para si mesmo: “Estou criando um sofrimento para mim”. Se você tem o hábito de criar sofrimento para si mesmo, deve estar criando também para os OUTROS. É impossível estar ao mesmo tempo consciente – no agora – e criando sofrimento para si mesmo.

Emanuela Lins.

Deixe um comentário »

Unidade nos relacionamentos – 1/ 2

Todo ser humano foi condicionado a pensar e agir de determinada forma, a partir de padrões – infância, ambiente e cultura. Tais padrões não mostram o que a pessoa é, mas como parece ser. Nossos julgamentos também têm origem em padrões inconscientes e condicionados. Damos aos outros uma identidade criada por esses padrões, e essa falsa identidade se transforma numa prisão tanto para aqueles que julgamos quanto para nós mesmos.

Deixar de julgar liberta tanto nós quanto o outro de se identificar com o condicionamento, com a forma, com a mente. Da mesma forma que permanecer no julgamento trará temor de qualquer coisa que possa vir da outra pessoa.

Quando você dá total atenção à pessoa que está interagindo, você elimina o passado e o futuro do relacionamento. Ao ficar totalmente presente com qualquer pessoa, você se desapega da identidade que criou para ela. Essa identidade é o fruto da sua interpretação de quem a pessoa é e do que fez. Ao agir assim, você se torna capaz de relacionar-se sem os mecanismos autocentrados de desejo e medo.

Para manter um bom relacionamento é necessária a atenção, que nada mais é do que calma alerta. Como é maravilhoso poder ultrapassar o querer e o medo nos seus relacionamentos. O amor não quer nem teme nada.

Ouvir com verdadeira atenção é outra forma de trazer calma ao relacionamento. Quando você realmente ouve o que outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral, as pessoas concentram maior parte de sua atenção no que estão pensando. Na melhor das hipóteses ficam avaliando as palavras do outro ou apenas usam o que outro diz para falar de suas próprias experiências. Ou então não ouvem nada, pois estão perdidas nos próprios pensamentos. Na origem dessas experiências se encontram os padrões básicos do “eu” autocentrado: a necessidade de estar com a razão e, é claro, de que o outro esteja errado – ou seja, a identificação com modelos criados pela mente.

Quando você acolhe qualquer pessoa que entra no espaço do agora e quando permite que ela seja como é, a pessoa começa a mudar, porque, na verdade, não há outra pessoa. Você está sempre encontrando a si mesmo.

2 comentários »

Lidando com a morte

A cultura ocidental ainda nega amplamente a morte. A fazê-lo, a vida perde a profundidade. A possibilidade de saber quem somos para além do nome e da forma física – a nossa dimensão transcendental – desaparece, pois a morte é a abertura para essa dimensão.

A morte não é o contrário da vida. A vida não tem oposto. O oposto da morte é o nascimento. A vida é eterna.

Sempre que uma experiência termina, a “forma” que essa experiência tinha na sua consciência desaparece. Muitas vezes isso faz com que você sinta um vazio do qual a maioria das pessoas tenta fugir.

Se você aprender a aceitar e até acolher os pequenos e grandes fins que acontecem em sua vida, pode descobrir que o sentimento de vazio que a princípio causou tanto desconforto se transforma num espaço interno profundamente cheio de PAZ.

Perder algo concreto que você inconscientemente identificou como seu pode ser uma experiência muito dolorosa. É como se ficasse um buraco na sua existência. Quando isso ocorrer, não negue nem ignore a dor e a tristeza que sente. Aceite-as, mas tome muito cuidado, porque a mente tem a tendência de construir uma história em torno da perda – em que você desempenha o papel de vítima. Preste atenção ao que está por trás dessas emoções, assim como da história que sua mente criou: aquela sensação de buraco, aquele espaço vazio. Você é capaz de encarar o vazio de frente, descobrindo que ele deixa de ser assustador.

A maioria das pessoas sente que sua identidade, sua noção do “eu”, é algo extremamente precioso e não querem perder. Por isso têm tanto medo da morte. Parece assustador e inimaginável que o “eu” possa deixar de existir. O “eu” que você concebe é apenas uma forma temporária na consciência. Sua essência, seu “eu sou” eterno é a única coisa que você não perde nunca.

Você pode perder essa Vida? Não, porque você é Ela.

2 comentários »

UMA RESPONSABILIDADE DIFÍCIL DE ASSUMIR

No sistema educativo e na sociedade atual incide um mal-estar diante da falência da autoridade. À dos professores e aquela ligada à falência da autoridade dos pais na base familiar. Um número cada vez maior de alunos está em situação de fracasso escolar. Muitos não desenvolvem a leitura corrente e não adquiriram autonomia mesmo após anos de escolaridade. Tornam-se incapazes de aprender.

A falha na educação reside na falta de autoridade dos pais sobre as crianças,marcada pela ausência de referencia familiar no exercício de suas responsabilidades.E quanto mais os pais se ausentam de suas responsabilidades imediatas, mais as crianças são levadas a queimar etapas, a se mostrar inescrupulosos, caminhando no sentido da degradação do laço social. Os pais renunciam ao seu papel, que consiste em mostrar que nem tudo é possível, enquanto a televisão e a internet operam como imagens que permanecem como único ponto de referencia. A voz do mestre já não é mais o que constitui autoridade, as crianças estão à procura de referencias.

Os sintomas escolares são refletidos significativamente na leitura, na escrita e até no raciocínio, e preocupam não só os estabelecimentos escolares, mas também os psicoterapeutas em seus consultórios, que desempenham um importante papel na reconciliação do aluno com a escola. A psicologia deve intervir no campo social e histórico, onde os efeitos da ciência são e evento maior do mal-estar contemporâneo.

2 comentários »