Variedades Femininas

Aqui se fala do universo feminino

Sobre amor, apego e violência.

Um dos maiores obstáculos de nossas vidas é o apego, e não nos apegamos só as coisas, mas também as experiências. Nos relacionamentos afetivos não seria diferente, nos apegamos as nossas experiências. Tenho refletido muito sobre o assunto, pois muitas vezes me reúno com um grupo de amigas: todas mulheres com cargos executivos, 100% independente financeiramente, ótima formação acadêmica, empoderadas de seus corpos, livres, comilonas, mas muito machucadas pelos homens e com muito medo de viver novos relacionamentos.

E a minha questão é essa: como desapegar das experiências de violência que vivemos e que determina muitas de nossas atitudes futuras? Não acho que não devemos observar, pelo contrário, infelizmente, homens agressores tem sido o “normal”, não a exceção, então muitas mulheres que foram vítimas de violência se fecham e começam a procurar indícios de possíveis atitudes de agressores e para evitar agressões futuras. Acho que o caminho é esse mesmo, pois precisamos saber aquilo que queremos e aquilo que não queremos, e acho que é importante saber que não queremos mais ser agredidas por machistas de plantão.

Posso falar por mim, não lido muito bem com homens machistas, não tenho paciência e sou tolerância zero com possíveis agressores. Isso não quer dizer que eu não tenha compaixão pelos seres, até tenho, mas não vou permitir que me agridam. O problema é quando em nome desse medo, nos fechamos, completamente, para novas relações. Veja, não estou dizendo que é necessário ter uma relação com alguém para sermos felizes, só que também não devemos achar que todas as pessoas da face da terra são agressores. Acho que faz parte do processo daquilo que vivemos ter medo, mas não precisamos ser dominadas pelo medo.

Falar é fácil, pois quanto mais olhamos, mas vemos agressores e não é paranoia não, vivemos em uma sociedade super machista e reproduzimos modelos hetenormativos e violentos. Um casal LGBTT também pode reproduzir esse modelo, incluindo de violência. Mas estou me referindo a mulheres heterosexuais/cis, embora acho que tudo pode ser transplantado e adaptado.

Nós mulheres vivemos pressionadas para “termos alguém em nossas vidas”, como se só tivéssemos algum valor se encontrarmos um parceiro, é muito comum ouvir que quem muito escolhe será escolhida ou que é melhor agarrar o primeiro que encontrar do que ficar só. Acho isso assustador, pois não precisamos de ninguém para sermos felizes e não somos menos por não termos um parceiro, até porque a maioria dos homens que vejo por aí não são parceiros, são agressores. Isso é sério, sem piada, homens aprendem a ter um comportamento egoísta e agressor, fazendo o possível para diminuir as mulheres, fazem do terror e da violência doméstica o usual. Olhando para minha vida, só lembro de um namorado que não tenha sido violento comigo e olhe que sou o raio da siribibila, tenho muita compaixão, mas não quero agressor perto de mim, indico terapia, psiquiatra, pois acho que é necessário tratamento, mas não preciso virar enfermeira de macho agressor, básico.

Acho que é possível se relacionar sabendo quais são os seus limites e não permitindo ser violentada em nome de um medo de ficar só, para isso é super importante nos desapegarmos das experiências que vivemos, soltar o sofrimento e seguir com a vida, mas pronta pra dar um tome na monte de machinho que tente tirar onda, lógico, mas nem todo homem é agressor e nem todo relacionamento precisa ser complicado assim, até porque não existe um modelo de relacionamento. Meu desejo é que os homens agressores conseguissem ter a lucidez de perceber que esse ciclo de violência não leva a nada, só ao sofrimento e destruição. A grande maioria das mulheres que já conheço me relataram algum momento de violência e muitas delas têm consciência de que viveram violência. Isso é assustador! Meu desejo é que sejamos felizes, livres de sofrimento.

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Sobre o amor romântico

Imagem tirada daqui: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-650706356-almofada-amor-da-minha-vida-presente-namorada-romantico-nasa-_JM

Estou querendo escrever esse post há dias, mas acho esse um assunto tão chato que dá preguiça. Escrevi um pouco sobre amor romântico na minha pesquisa de mestrado e acho que é um tema interessante -academicamente-, mas pensar nesse tipo de amor idealizado é chato pra caramba.

Eu não acredito em amor romântico e acho uma grande baboseira acreditar nesse tipo de idealização, pois amor romântico é isso: idealização. Entretanto, tudo na vida é impermanência, nada é sólido, então não dá pra acreditar que algo é pra sempre e ainda mais colocar toda a expectativa de felicidade em cima de outra pessoa. Se você muda, por que a outra pessoa não pode mudar? Ela vai mudar sim, colega. O pra sempre não deve ser a chave de nada, pois não existe o pra sempre, no mínimo você ou elx vão morrer um dia.

Não acredito em um amor suspirante e não quero isso pra minha vida, pois quero é manter minha energia estável apesar das instabilidades alheias. Imagina se quero que meu humor mude de acordo com a atenção de vou receber ou não de outra pessoa? Sou mestra no problema seu. Quer me ligar? Problema seu. Não quer me ligar? Problema seu. E se eu sumir da sua vida? Problema seu também rsss. Muita gente não dá conta de lidar comigo por causa disso, mas faz parte da vida também, sigo desse jeito e posso te afirmar que sofro muito menos, mas isso não quer dizer que eu não ame, pelo contrário, eu amo pra caramba e amo profundamente, assim como tenho plena capacidade de continuar amando e desejando a felicidade de gente que me fez mal, pois amar é bom e não tira pedaço. Só que criar expectativas e projetar, aí acho que não é algo lúcido não e minha busca é exatamente por esse tipo de desapego.

E esse tipo de coisa tem se naturalizado em minha vida, fiquei até meio estranha. Ano passado estava com o cara que acho mais gato no mundo. O cidadão colocou um filme romântico pra ver comigo, daquele tipo que sinto como uma tortura: amor romântico e apegado no nível mais monstro. O que eu fiz? Terminei o filme rindo e comentando o quanto aquilo era bizarro. Ok, sou meio absurda, mas o que posso fazer? Pra mim é realmente bizarro uma relação cheia de juras de amor melosas e uma quantidade absurda de promessas. Eu não prometo nada, pois sei que posso mudar de ideia no meio do caminho. E também não lido bem com apego, desde apego ao corpo do outro, a apego a uma realidade de sonho 100% criada.

Amar é desejar que o outro seja feliz e livre, estar junto é uma parceria que pode durar um dia ou a vida inteira, pois o tempo não importa e não pode ser controlado. Faz parte da vida viver as experiências e lidar com as impermanências. E isso inclui todo tipo de parceria: amizade e afins. Adoro a metáfora de nos relacionarmos com as pessoas como se fossem hóspedes: livres para viver momentos bonitos conosco e também nos deixar a qualquer hora.

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A importância de frequentar bons laboratórios.

Ando meio sumida, pois são muitas demandas na vida, mas prometo que responderei todos os recados e comentários pendentes, desde já peço desculpas.

Ok, sou aquela que sempre fala de médicos, hospitais e laboratórios, mas é por motivos óbvios, muitas portadoras são leitoras do blog e acho importante indicar, relatar minha experiência. Minha indicação de hoje será do laboratório Fleury. Acho que já comentei que costumo fazer meus exames no Sírio Libanês, pois tenho muita preguiça de me deslocar demais para fazer coisas deste tipo e o Sírio fica do lado da minha casa, assim posso acordar em cima da hora e passar minhas manhãs de sábado descabelada no hospital.

O Sírio tem um atendimento mara, o setor de radiologia, por exemplo, é ótimo! Não sei se posso citar nomes, mas o médico responsável é um fofo e a técnica de enfermagem me liga pra saber como está a minha gatinha doente, então fica a dica, né? Sou super bem cuidada. Num outro post falei que não tinha falado nada do Hospital Einstein ainda, então posso dizer que o atendimento é ótimo! Fiz minha última cirurgia lá e é muito provável que a próxima seja lá também. Para portadoras com plano de saúde ou que tenham grana pra bancar os tratamentos particulares – porque levam a falência fácil – recomendo esses dois hospitais em São Paulo. Para quem não tem plano recomendo o Hospital São Paulo da UNIFESP, várias amigas fazem tratamento lá e acho que é bem bom. Se alguém quiser saber como fazer pra conseguir uma consulta, é só entrar em contato comigo que indico os passos.

Mas o tema do post é o Fleury, recomendo, viu? Não faço muitos exames lá, mas todos que fiz foram ótimos, toda equipe é muito atenciosa, mas além disso, a qualidade dos equipamentos são ótimas! Os laudos são bem detalhados, vale a pena! No último exame que fiz, o médico levou em consideração todas as minhas queixas e fez um diagnóstico bem preciso, indicou até um possível caminho que meu ginecologista pode seguir no meu tratamento. Top, né? Eu nunca liguei muito pra esse tipo de coisa, fazia no laboratório que tivesse mais perto de casa, em locais duvidosos e estava nem aí, mas como me mudei pra uma região mais central, acabei ficando perto de hospitais e laboratórios bons, então descobri que o negócio é sério. Claro que sempre fazia exames com médicos específicos e super especialistas, daqueles que nos levam a falência, mas que o meu ginecologista dizia ser fundamental, mas fora isso, fazia em qualquer canto mesmo, entretanto, percebo que a qualidade do laudo é fundamental para o nosso tratamento.

Óbvio que meu desejo é que todxs tenham acesso tudo de qualidade e o SUS ainda precisa caminhar muito no caso da endometriose e todas as complicações que esse problema traz para nossa vida, pois é necessário uma equipe multidisciplinar e médicos especializados em observar tudo que ocorre com nosso corpo. E muitas vezes, algo que parece sutil, pode ser bem grave. Eu mesma perdi 17 quilos em menos de um ano, no início achei que era, sei lá, adaptação do meu corpo, mas no final era algo bem grave e raro, que se não fosse exames bem feitos e médicos ultra especializados, estaria morta. E é por isso que o SUS precisa avançar mais ainda, o governo precisa olhar com mais carinho para as quase 10 milhões de brasileiras portadoras de endometriose. Esse ano fui na Marcha Mundial da endometriose, assim que saírem as fotos oficiais posto aqui sobre.

Ah, mais uma coisa, uma geral me pergunta sobre endometriose no intestino e nas vias urinárias, assim como sensações e complicações bem específicas no intestino que ocorrem. Entrem em contato comigo por e-mail que posso ajudar indicando uns exames bem específicos e que muitos médicos nem cogitam em passar – a não ser os supimpas – mas que podem ajudar nesse tipo de investigação. Me passem um e-mail que respondo, beleza? Dou conta de responder mais rápido e-mails

Clara Guimarães – claragui@gmail.com

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Professor machista usando seu privilégio pra sair com aluna

Hoje li um texto que achei interessante para reflexão e discussão, por isso vou indicar aqui. Sempre fiz uma crítica ferrenha a professorxs saindo com alunxs, pois acho que é super comum ver pessoas usando seu privilégio para conseguir conquistar menininhxs. Claro que não dá para generalizar, acho que duas pessoas adultas podem se relacionar da forma que quiserem, mas já vi muitos casos de professores universitários usando sua posição de “poder” para se sentirem melhores em sua mediocridade saindo com alunxs muitas vezes semi-analfabetas e deslumbradxs com o pseudoconhecimento do outro. Na maioria dos casos são professores oprimindo alunas e não tenho a menor dúvida que é um caso de opressão. O grande “sábio” com a menininha iniciante no mundo acadêmico, que nunca leu nada, uma vítima deslumbrada com a grande mediocridade do professor. Escrevo vítima, porque é vítima mesmo, vítima do machismo . É possível namorar umx professorx e ter uma relação igual, sem abuso, mas não estou citando esse tipo de situação, óbvio.

Agora, se com professores universitários vemos esse show de horror, não vou nem comentar em cursinhos e escolas de ensino médio e fundamental. Indico o texto e peço que façam a reflexão. Só posso dizer que machistas não passarão!

Um certo professor de cursinho, parte 1 – Blog era uma vez outra mulher

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Coragem, homens! Vamos entrar na luta pelo fim da violência contra mulher!

 

Hoje, dia 06 de dezembro de 2014, é o dia nacional da mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. Como sou mulher, viver essa violência sempre fez parte da minha vida, seja ela “grande” ou “pequena”, poderia falar aqui das grandes coisas, mas quero falar das coisas “menores”, mais “sutis”, mas que nos afetam muito. Pedir que você, homem, abra um pouquinho seus olhos e faça da sua vida um motivo para acreditarmos que é possível. Nem todo homem é agressor, mas uma quantidade absurda é.

Todxs crescemos num ambiente de incentivo à violência, nos mandam cobrir nossos corpos, pois as mães que segurem suas cabritas que os bodes estão soltos por aí. Sei que o ditado não é bem assim, mas não sou boa em lembrar desse tipo de coisa, embaralho tudo mesmo. Neste contexto, é muito fácil convivermos com homens que possuem discurso de “bom moço”, que muitas vezes dizem ser defensores da luta feminista, mas na hora do vamos ver se tornam agressores. E olhe que nem estou falando das últimas tretas entre as feministas, estou me lembrando de casos que vi em uma vida inteira, pois pode ter certeza que essa discussão não vai acabar e nem começar com o que tem ocorrido na última semana.

Acho que é difícil pra um homem entender o que uma mulher passa, diariamente, mas é possível se solidarizar. Esse ano ando mais irritada do que nunca com homens que assumem o discurso feminista, mas não perdem a oportunidade de agredir suas parceiras, seria bem mais coerente assumir logo o capacete machista, mas não, se escondem atrás de discursos de apoio a luta pelo fim da violência contra mulher e descem o cacete na gente com o seu machismo.

Já me relacionei com caras que tentaram me diminuir porque meu lattes é mais robusto, que gritaram comigo por diversos motivos, que tentaram me humilhar por ter na época uma situação financeira instável e diante de todo horror das pequenas coisas, já fiquei sem teto e sem grana, porque se o amor acaba, te vira que tua casa é a rua. Poderia falar um monte sobre compaixão e amorosidade, mas a questão aqui não é esta, é o prazer de tentar exercer o controle e se sentir o grande macho em cima de uma mulher frágil. Ok, nunca fui frágil e dou a volta por cima, mas essas coisas que citei acima vivemos em nosso cotidiano, passamos com parceiros que escolhemos e acreditamos em seu discurso libertário e igualitário. Acreditamos que porque são igualitários no discurso, não serão machistas em suas atitudes. Acho que o mais importante é refletir que sou feminista, venho de uma família de esquerda e financeiramente estável, sou empoderada de mim e de meu corpo, mesmo assim topei e topo adoidado com machinhos por aí, então imagine o que deve viver uma mulher que não tem a menor consciência desse tipo de discussão? E ser feminista não é garantia de ser forte sempre, pois feminista também é gente.

Sou muito tolerância zero com machinhos, mas sou privilegiada, sou uma mulher independente, seguro minha onda emocionalmente e financeiramente, acho que por isso tenho conseguido cair fora logo de relações que poderiam me causar aprisionamentos, mas e se a situação fosse diferente? Se eu não tivesse essa segurança toda? Seria totalmente compreensível que eu me sentisse sem nada enquanto um homem me oprimisse, gritasse comigo e tentasse me humilhar. E esse tipo de situação é vivida por milhares de mulheres enquanto escrevo no conforto do meu lar e da minha liberdade.

Por isso, acho que essa luta seria muito mais fácil com homens conscientes do nosso lado, pois não adianta nada ter um discurso feminista e ser um machistão. Nos machuca cada atitudezinha machista, cada grito e tentativa de nos diminuir, é muito triste lidar com tudo isso. Nosso trabalho enquanto feministas é meio dobrado, mas estamos aí mesmo lutando pelo empoderamento feminino. Mulheres não são mercadoria, coisas que precisam ser vigiadas. Assim como a masculinidade – masculinidade, oi? – de ninguém é ferida quando um outro homem olha para sua parceira, pois ela não é sua ou sua mulher, não é uma coisa, sua posse. Leva uma vida para que a gente possa se empoderar e somos chamadas de vadias por nos acharmos donas de nossos corpos. Vivemos em um mundo machista, é uma luta diária e constante para nos mantermos em pé, por isso não ajuda em nada que você, homem, perpetue a violência de gênero oprimindo a sua parceira.

Nós, pessoas feministas, dizemos que se mexeu com uma, mexeu com todas. E é por aí, nos empoderamos e lutamos pelo empoderamento de outras mulheres. Nossas experiências são motivo para continuar lutando, sonhando com o dia com que nenhuma mulher viva violência alguma. As estatísticas são alarmantes, muitas mulheres são mortas, agredidas, estupradas… todos os dias. Mas não é “só” isso, somos diminuídas e menosprezadas por respirarmos, por decidirmos sair de casa, trabalhar e, principalmente, dizer que somos nós as donas de nossos corpos.

*Texto escrito por uma mulher cis, sobre relações hétero e cis. E posso afirmar que para uma mulher trans o buraco é bem mais embaixo.

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URUBU-CARNIÇA- PORRADA NA MUNDIÇA E ENDOMETRIOSE.

Acho que algumas pessoas que são extremamente egoístas. Vejo sempre os comentários das minhas amigas sobre o quanto são diminuídas em sua dor, como se elas tivessem culpa de sua condição ou faltasse esforço da parte delas. Jogo do contente não funciona nestes casos, fingir que nada de grave está acontecendo e não poder expressar a sua dor é uma tremenda falta de sensibilidade. Vejo o tratamento de endometriose com um olhar interdisciplinar: tratamento tradicional com um ou uma ginecologista especializada em endometriose, especialistas em realização de exames para detecção da doença, clínicas de dor, mas também, acupunturistas, fisioterapeutas, psicólogas, homeopatas, massagistas, meditantes, mantras de prajnaparamita… Mas o principal é o olhar amoroso, pois ninguém é uma doença, ela só está transitando pela nossa vida, pois nada é sólido. Pensar assim, não significa diminuir a dor do outro, mas respeitar os seres humanos que sofrem de endometriose, apoiando-os em seu caminho. No grupo que faço parte, são história de “mulheres” muitas vezes cansada, mas posso garantir que o que as deixa mais cansada são os abusos e as intolerâncias, dizer para que se calem. Essas guerreiras são pessoas que possuem uma doença oportunista que não tem cura e que se agarra nos locais mais estranhos do corpo, é no mínimo falta de humanidade, fica pagando de bonzinho ou boazinha e falando merda, julgando a dor dos outros. Toda dor precisa ser acolhida com carinho, pois o sentimento do outro também está em jogo. Acho super normal que a portadora de endometriose se desespere algumas vezes ou até sempre, afinal, quem aguenta tantos exames, remédios, internações e dor,muita dor? A endometriose se manifesta individualmente em cada uma, tem aquelas poucas assintomáticas, mas que em meio ao silêncio do corpo vão perdendo a capacidade reprodutiva, que é o sonho de tantas pessoas. O que as portadoras precisam é de visibilidade da doença, acolhimento, tratamento gratuito com especialistas, medicamentos de alto custo, colocação de mirena e implanon pelos planos de saúde e pelo SUS. E para ganharmos essa luta é necessário debater, mostrar o que é a vida de uma portadora.E vou dizer mais, você que está com sua cara de bunda, no facinho do bercinho de papai e mamãe, não sabe bexiga nenhuma na vida, pois não sabe a dor causada por uma ignorância, o que é ser olhada como um ser menor por possuir uma doença considerada menor, praticamente, um desejo seu de ficar doente e chamar atenção. Se eu fizesse uma pesquisa formal com portadoras de endometriose para entender o quanto já se sentiram diminuídas, humilhadas ou ofendidas por quem prefere diminuir a sua dor,os números seriam seguramente espantosos. Sou privilegiada porque tenho uma rede de apoio ao meu lado e é muito difícil chegar em mim as carinhas de: vc tem qualquer coisa por sua culpa. Eu costumo ouvir ao contrário: minha tia costuma me dizer é que sou forte, sorridente, não tenho cara de doente, energia de doente.E fala isso respeitando e cuidando de qualquer dor que eu possa ter,ela só olha profundamente pra dentro de mim e aponta a mulher forte que ela percebe, aponta com orgulho. Óbvio que o motivo disso, é que o nome dessa doença pode ser endometriose, mas o meu é gota serena. E essa gota serena aqui está sempre disposta a sambar na cara daqueles e daquelas que diminuam as minhas amigas.Que vem tirar onda conosco e com a nossa militância! Mas não tem essa não, gota serena, lembra?

 

*Mundiça são as pessoas que diminuem a dor da portadora da endometriose.

** E todo mundo cansa de remédio, ficar internado em hospital, mesmo que o atendimento do hospital deseja ótimo. Uma portadora de endometriose não precisa de uma pessoa idiota ao seu lado, mas de alguém porreta, uma família porreta que dê força e mande a culpa pro espaço. Sério, idiotas não são bem-vindxs, mesma que esta não seja uma atitude nada budista.

*** Se você foi ou é um idiota da endometriose, vai fazer terapia!

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8 preocupações mundanas

As 8 preocupações mundanas são:

1. Gostar de ser elogiado
2. Não gostar de ser criticado
3. Gostar de ser feliz
4. Não gostar de ser infeliz
5. Gostar de ganhar
6. Não gostar de perder
7. Desejar ser famoso
8. Não gostar de ser ignorado

Acho que é batata se sentir tocado por esses sentimentos. Quem consegue não se abalar com uma crítica ou quando alguém ignora a gente? É difícil pra caramba. Lógico que é totalmente possível ter uma natureza livre, não se apegar ao sofrimento, pois se forma é vazio e vazio é forma, o sofrimento não existe. As coisas são, não são e são.

Esse ano está sendo meio punk em alguns aspectos, cruzando e descruzando com pessoas que parecem querer tirar onda comigo, machucando, cutucando, como se tivessem enfiando uma faca e tendo prazer nisso. No meio de um rebuliço desses, uma situação difícil pra caramba, veio na minha mente a segurança de que fulana era minha mestre, que eu estava era recebendo uma oportunidade maravilhosa de aprender coisas novas. Pois é, tem uma prece budista chamada: oito versos que transformam a mente. Toda vez que eu leio acho que faz muito sentido, a gente gasta energia demais tentando defender uma identidade que criamos e tentando assegurar que seremos elogiados, felizes, ganharemos sempre e seremos reconhecidos por isso. Segue dois trechos da prece:

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

Eu não acho que oferecer a vitória e aceitar que aquela pessoa “absurda” é seu mestre é agir com passividade, mas que é preciso largar as coisas, pois não dá pra ficar alimentando certos sentimentos, é só largar e mudar a perspectiva. Você muda o olhar e parece que tudo muda, mas na verdade não mudou foi nada, tudo estava sempre ali, a gente que sente que muda.

 

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Demaquilante MAC

Ai gente, esses dias comprei um demaquilante da MAC, paguei 99 reais e ahazei!! Ele é bifásico, a parte de cima do líquido é adequada para tirar maquiagem dos olhos, o rímel e afins saem super fácil , depois é só agitar o frasco que ele vira um demaquilante pro rosto inteiro. A pele fica cheia de um líquido oleoso, mas é só passar um sabonete adequado pra pele que fica tudo lindo. Não é normal um negócio desse não, a pele fica, absurdamente, macia, MARAVILHOSA. Todo mundo diz que minha pele é ótima, mas nunca senti ela tão maravilhosa como quando tiro a minha maquiagem. Vale a pena cada centavo, super investimento. Renovei toda minha maquiagem com produtos da MAC, estou achando tudo ótimo, mas esse demaquilante é surreal.

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O quanto nos apegamos as coisas

Apego, apego e apego, parece que nossa vida é só apego. Nos apegamos a tudo, vivemos em função do desejo de alcançar a felicidade,  todos os nossos atos são  desejos de felicidade.  Aquela pessoa, por mais absurda que seja, deseja ser feliz, sente apego por uma felicidade que não existe. Nossa realidade é uma criação, não existe, não existe nem um eu e nem um meu, ninguém é de determinada forma, pois tudo é mutável, tudo é vazio. Nos apegamos a ideia que construímos de nós mesmos, dizemos que somos assim e não tem mais jeito. Ô pobreza!

Criamos vários mecanismos de segurança e fugimos, fugimos, loucamente, porque ter lucidez é difícil, significa não ser fruto dos impulsos. Somos levados pelas historinhas que criamos em nossa mente, embarcamos nelas. Ahh não vou conseguir viver isso, terminar aquilo, sou fraco, sou forte, sou, sou… A gente se apega a ideia de felicidade e de sofrimento. Solidificamos as coisas, não percebemos a impermanência do que vivemos.

Nos apegamos também ao que desejamos do outro, mas não gostamos do outro, gostamos daquilo que o outro nos proporciona. E o sofrimento? Parece que nunca vai embora, mas ele vai, porque nada permanece pra sempre, a roda da vida gira e tudo que veio vai. Nos apegar pra que? A gente se apega a ideias loucas que criamos. Eu, por exemplo, sempre tive extrema segurança que nunca poderia, ou posso, ter câncer na vida, afinal, na minha família ninguém nunca teve. Mas que segurança existe na vivência do outro? Que garantia temos? Eu não tenho nenhuma.

Sempre penso em Foucault e o cuidado de si, acho que faz total sentido. Claro que como ele mesmo diz, não dá pra gente se apegar a ideia de liberdade, que se a gente praticar o cuidado de si seremos livres, porque liberdade é o que? Mas ao mesmo tempo é sim, é um tipo de liberdade olhar para nós mesmos e ter compaixão nesse olhar.

Sabe, você já parou pra pensar que daqui há alguns anos todos que estamos aqui agora estaremos mortos, inclusive você? Então nos apegarmos pra que? Dinheiro, casa, comida, roupas, namorado, é tudo ilusão. Você olha prx outrx e diz: é o amor da minha vida! Mas não é porcaria nenhuma. A vida é sua, o outro pode estar na sua vida no futuro ou não, não tem garantia nenhuma, o ideal é olhar pra quem está conosco e desejar que ela seja feliz mesmo sem a gente, que se liberte das causas do sofrimento. Ela pode estar ao nosso lado, mas não precisa, sabe, não precisamos de nada.

É tudo experiência, sempre é uma experiência. Mas isso não quer dizer que não podemos viver essas experiências. Essa semana mesmo dividi o tapete de meditação, foi tão bom meditar junto, compartilhar e sorrir. Meditar sozinha é bom, mas meditar em conjunto é bom também. Fiquei pensando nessa nova experiência de compartilhar a energia do outro, mas estar com a minha mente vivendo o movimento de meus próprios pensamentos, se conectar e se desconectar do outro, acho que isso é um tipo de meditação. Não nos apegarmos as experiências e aos outros não significa que não podemos viver em conjunto com o outro, mas que não vamos embarcar nas criações de nossa mente, que estamos lúcidos, não vamos nos abalar com as mudanças e interferências. Vamos é viver o caminho do meio.

 

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Sobre hospital de rico: endometriose, favela e saúde pra todxs

Essa semana refleti muito sobre o atendimento dos hospitais de rico aqui de São Paulo, conhecendo novos e analisando o tratamento. Esse post não tem como objetivo falar mal do PT e do SUS, acho bom avisar: doidos de plantão podem ir ler um outro texto.

Quando  falamos de hospital de rico automaticamente surgem as críticas ao SUS. Quero deixar meu posicionamento bem claro: Não sou contra o SUS,  percebo muitas qualidades em nosso sistema. A principal delas é a sua existência, a possibilidade de que qualquer pessoa seja atendida em hospitais brasileiros, que não precisem escolher entre seus dedos acidentados qual terá que implantar. – Escolher entre os dedos é uma realidade Norte-Americana, um país que vive sérios problemas em relação a saúde da população. – Fui atendida em um PS do SUS em julho em Santo André, pois estava ruim demais e não tive a menor coragem de enfrentar o atendimento ruim e demorado do “melhor hospital de Santo André”, foi  bom, fui bem atendida no SUS

Nas minhas muitas idas ao hospital acabava indo pro PS precário da Unimed, mas que atendia mais rápido. Como sempre preferi hospital perto de casa, quando morava na Vila Mariana ia no SEPACO e era ok. Esses que citei, são típicos hospitais de classe média, de uma classe que possui uma grande parte de ressentidos e metem o pau nas políticas sociais, mas são massacrados nos planos de saúde com laboratório super lotados e atendimento confuso. Uma parte desse grupo se sente muito feliz de não ter que se misturar no SUS.

Eu não tenho o menor problema de ir no SUS, não tenho medo de gente, pelo contrário, gosto de gente, mas apesar de reconhecer que temos hospitais de referências no SUS, incluindo para tratamento feminino, não são suficientes para minha pauta, que é da portadora de endometriose, entretanto, essa é uma luta de reconhecimento geral, tanto no SUS quanto nos planos de saúde. O governo tem feito projetos abrangentes e emergentes, a contratação dos “mais médicos” foi uma felicidade. Só acho que a necessidade básica não exclui a especializada em endometriose, mas acho que são caminhos, opções, sou otimista, espero que a endometriose entre em muitas futuras pautas do governo.

Voltando ao tema de hospital de rico, uma fatia da classe média insana repele e tem nojo dos pobres, como se pobre por merecimento devesse ficar doente e passar fome, um povo incoerentre que critica o bolsa família, mas vive de pensão vitalícia do pai e seus filhos se sustentam com bolsas de mestrado e doutorado e olhe-lá! Qualquer bolsa que promova o crescimento dxs cidadxs deveria ser é ampliada, mais prouni, bolsa família, bolsas de mestrado e doutorado… Essa é uma das formas do país crescer, estimular a população.

Enquanto a classe média se agarra as migalhas, a classe rica, realmente, recebe um tratamento diferente e nas pequenas coisas, você vai fazer um exame no Sírio Libanês e tem vaga para o dia seguinte, não precisar ficar meses pra arrumar uma vaguinha pelo plano de saúde. Se o exame tiver algum preparo, eles montam um kit de medicações e instruções pra você. Existe também a possibilidade de se internar no hospital e passar o preparo do exame com cuidados médicos – e a hospitalidade do Sírio é boa. Os profissionais são extremamente gentis, todos. Perguntei se a enfermeira gostava de trabalhar lá, e me disse que sim, então aproveitei para fazer o meu discurso sobre o uso de materiais no sus, que não é necessário ficar usando um acesso estragado só para economizar.

Ela me disse que é verdade isso, trabalhar no sus é legal, tem hospitais que tem tudo, as mesmas marcas do Sírio, mas tem outros locais que não tem nada. Comentou que a diferença era o público, percebi que ela gosta mais do público de classe média alta que frequenta aquele hospital, como se trabalhar perto de rico desse algum status – não preciso me alongar…  Achei atendimento lá e no nove de julho ótimos, não tem filas, parece ter muito funcionário pra pouca gente sendo atendida. As equipes médicas que tive contato foram ótimas, equipamento de exames novos e toda a parte de conveniência deliciosa, tive vontade de levar o roupão pra casa, não levei, mas me imaginei ahazando com ele aqui na minha casinha ultra fashion.

Escrevi, escrevi, escrevi… Para dizer que acredito no SUS, espero que os hospitais melhorem, que o mais médicos invadam a geral, pois não dá é pra deixar a população desamparada, Acho que as coisas ocorrem aos poucos, aos processos, mas no fim gostaria de hospitais com o nível do Sírio Libanês, do 9 de julho também. O Einstein ainda não testei.

Acho super válido hospitais como o Sírio, atendimento bom, mas achei as pessoas simpaticas demais e com grande necessidade de me chamar de senhora, mesmo depois que pedi para não chamar. A equipe de enfermagem achou que eu tinha 20 anos, então sou senhora porque? Se estou lá tenho grana e devo ser tratada como senhora e dona? Eu quero um atendimento top desse pra população toda e gostaria de modelos de hospitais mais humanizados, acho que isso falta no nosso país. Suprir as necessidades básicas, como médicos para os locais mais distante e montar um belo de um projeto político para o nosso país, é algo que acredito estarmos no caminho. Mas e a portadora de endometriose? Os planos de saúde cada vez têm menos especialistas, nem sempre cobrem a cirurgia. O SUS tem poucos hospitais de referência que atendam as portadoras e são muito localizados. Precisamos de um mais médicos da endometriose.

Algumas poucas pessoas já me acusaram de ser elitista, acho que não preciso participar de concurso de miss favela pra provar que eu me solidarizo a minha maneira -Olha a irônia e a crítica ao machismo-. Já ouvi críticas ao meu gosto estético, elitista demais, não me misturo. Não tenho a necessidade de responder nada, mas acho que é uma bela provocação pra refletir, pois cada um olha pro mundo de uma forma peculiar. Acho que o problema é o preconceito com a favela, achar que favela é sinônimo de definhamento cultural e intelectual, de povo coitadinho que precisa ser protegido. O povo da favela, da periferia é forte! E juntos temos que  tomar SP, circular nas ruas, invadir as atrações culturais e levar pessoas pra favela, pra periferia, porque acredito na mistura. Porque não deveria existir lugar de rico ou de pobre, deveria ter locais transcendidos. Acho que a favela deveria estar mais para um não lugar, um lugar livre.

Quando eu era mais nova montei uma associação musical em Paraguaçu Paulista_SP, ideia minha e trabalho meu, e que foi expandido pro coletivo. Dei aulas de canto e fiz preparação e produção musical para montagem dos nossos espetáculos, com pessoas cantando árias de ópera, a grande maioria nem sabia o que era ópera e foi umas das experiências mais profundas que vivi. As vagas eram abertas para pessoas de todas as idades e classes sociais, e essa foi a maior rykeza, uma cidade que alimenta tanta segregação social, se misturando, filho de pobre e de rico tomando o teatro municipal da cidade, sendo o que eles são, iguais.

Acho que saúde é tudo, sáude é cultura, escola e alimentação. Saúde é direitos. Por isso desejo para  esse país: hospitais humanitários e os pobres invadinho esses hospitais que todos sabem os nomes, os chamados hospitais de rico. Não quero mais lugar de pobre ou de rico, quero lugar para todxs! Acho que seria lindo todo mundo tomando seus espaços no Sírio Libanês, saúde deve ser do povo, todo mundo igual, todo mundo bonito e confortável. Saúde popular, saúde comunitária.

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